A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo começa nesta quinta (17); não perca

Por Marcos Aurélio Ruy

Os cinéfilos que estiverem na capital paulista entre os dias 17 e 30, não podem perder a 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo com sua programação espalhada pela maior cidade do país. Com 326 filmes nas seções Retrospectiva, Homenagens, Apresentações Especiais, Realidade Virtual, Competição Novos Diretores, Mostra Brasil e Perspectiva Internacional, esta edição conta com 63 filmes brasileiros com vários diretores estreantes.

Para a cineasta Tata Amaral (Um Céu de Estrelas, Antônia, Trago Comigo e Sequestro Relâmpago) “a Mostra é fundamental para a formação do meu olhar, principalmente, eu que sou cineasta e frequento desde a primeira edição”, também “acho fundamental para a formação do olhar de todas as pessoas a diversidade que a Mostra nos proporciona.”

Já a diretora da Mostra, Renata Almeida afirma que “é quase um estereótipo dizer que estamos em crise. Perdemos um grande patrocinador, mas nunca duvidamos de nossa capacidade” sobre o abandono da Petrobras do patrocínio de um dos maiores eventos de cinema da América Latina.

Os ingressos vão de R$ 500 (permanente integral) ao valor individual de R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) durante as sessões das segundas, terças, quartas e quintas e R$ 24 (inteira) e R$ 12 (meia) às sextas, sábados e domingos.

A abertura para convidados acontece nesta quarta-feira (16) com exibição da esperada produção que reúne Brasil, Bélgica, Espanha e França, Wasp Network, do diretor francês Oliver Assayas (Personal Shopper, Acima das Nuvens, Depois de Maio, Carlos, o Chacal).

Cena de Wasp Network (Divulgação)

Baseado no livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, de Fernando Morais, que relata a história dos agentes da inteligência cubana Antonio Guerrero, Fernando González, Gerardo Hernández, Ramón Labañino e René González, infiltrados nos movimentos contrarrevolucionários em Miami, Estados Unidos, com a missão de evitar ataques terroristas na ilha caribenha. Eles foram presos nos Estados Unidos em 1998 e condenados, em julgamento fraudulento, em 2001 a penas de 15 a 17 anos.

Os cinco passaram a ser tratados com heróis em Cuba e só foram libertados em 2014 com a aproximação dos países por décadas sem relação diplomática. Lembrando que os Estados Unidos ainda lideram um bloqueio econômico desumano a Cuba.

O filme tem Wagner Moura no elenco e conta a trajetória dos cinco agentes cubanos presos por anos nos Estados Unidos, acusados de espionagem e terrorismo. Além do ator brasileiro, estão no elenco a espanhola Penélope Cruz, o mexicano Gael García Bernal, o argentino Leonardo Sbaraglia e o venezuelano Edgar Ramírez.

Acompanhe a programação pelo site oficial do evento

http://43.mostra.org/br/home/

Criada pelo crítico de cinema Leon Cakoff (1948-2011) em 1977, a Mostra deste ano quase não acontece por causa da falta de patrocinadores, especialmente a Petrobras, que foge da cultura como o diabo da cruz na gestão de Jair Bolsonaro.

A Mostra conta também com o vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes deste ano, Parasita, do sul-coreano Bong Joon-ho. Tem ainda Mente Perversa, de Savas Ceviz, sobre pedofilia, com presença confirmada do diretor da obra alemã. O filme argentino de maior bilheteria no país vizinho, A Odisséia dos Tontos, de Sebastián Borensztein e o palestino O Paraíso Deve Ser Aqui, de Elia Suleiman, também estão na programação.

Os homenageados desta edição são o diretor israelense Amos Gitaï (O Dia do Perdão, A Oeste do Rio Jordão, Um Trem em Jerusalém), assim como Olivier Assayas, que abre a Mostra com Wasp Network, os dois recebem o Prêmio Leon Cakoff. Já o diretor palestino Elia Suleiman (7 Dias em Havana, O Que Resta do Tempo e Intervenção Divina) recebe o Prêmio Humanidade pelo conjunto de sua obra.

A Mostra Brasil conta com A Vida Invisível, de Karim Aïnouz, Aos Olhos de Ernesto, de Ana Luiza Azevedo, Casa, de Letícia Simões, Chão, de Camila Freitas, O Homem Cordial, de Iberê Carvalho, O Invasor, de Beto Brant, Slam: Voz de Levante, de Tatiana Lohmann, Roberta Estrela D’Alva. Vale conferir.

Cena de A Vida Invisível, do cearense Karim Aïnouz (Divulgação)

“A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo abre as janelas da cidade para o cinema do mundo. Muitas dessas obras só podem ser vistas neste evento ou posteriormente em salas especiais de cinema, assim não chegando ao circuito comercial e não atingindo o grande público, infelizmente”, diz Francisca Pereira da Rocha Seixas, secretária de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo.

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