Violência, discriminação e pouco caso marcam a vida da juventude brasileira

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Violência Contra Jovens Negros e Pobres vem realizando sucessivas audiências públicas para encontrar o caminho da extinção do genocídio da juventude negra no Brasil. “Essa CPI pode cumpri um papel pedagógico importante para reeducarmos a sociedade a olhar par ao outro de forma mais humana e solidária”, argumenta Mônica Custódio, secretária de Promoção da Igualdade Racial da CTB. Em audiência nesta quinta-feira (21), a ministra Nilma Lino Gomes, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, disse que “todos nós somos responsáveis pelo futuro dos nossos jovens”. Ela perguntou ainda: “que juventude é essa que o mundo adulto tem ajudado a construir?”.

Para Edson França, presidente da União de Negros pela Igualdade, a violência contra a juventude reflete o conservadorismo e o racismo arraigado da sociedade brasileira. Ele vê três questões principais, que a CPI pode ressaltar, neste momento. Primeiro ele acredita ser essencial aprovar o projeto de lei 4471/2012, que extingue o auto de resistência, “que permite aos policiais utilizarem esse argumento para justificar verdadeiros assassinatos”. Realizar um amplo debate sobre a proposta de redução da maioridade penal é o segundo item com objetivo de “informar à sociedade sobre os malefícios que isso pode trazer à formação da juventude, além de fomentar mais violência e favorecer a criminalidade”. Por fim, “é necessário dar visibilidade à juventude dando-lhes espaços apropriados para se expressarem com liberdade, em paz e em segurança”, concatena.

A CPI traça o perfil dos jovens assassinados no país. Segundo os especialistas a violência no Brasil tem idade, cor e classe social. Houve consenso de que ocorre um verdadeiro genocídio da população jovem, negra, pobre e que mora na periferia das grandes cidades. “Temos sob nossos ombros o grande desafio de impedir que mais vidas tão jovens sejam desperdiçadas. Inclusive custa caro ao país porque esses jovens poderiam produzir muito, então por que não se investe muito mais na construção de escolas e na criação de espaços culturais, esportivos de lazer para os jovens?”, questiona Mônica.

O presidente da CPI, Reginaldo Lopes (PT-MG) acha necessário promover melhorias no Plano Juventude Viva para toda a sociedade ser envolvida. No mesmo rumo vai João Jorge dos Santos, presidente do Grupo Cultural Olodum. Para ele é necessário “impedir que a sociedade e o Estado brasileiro continuem pensando em bala, violência, redução de maioridade, preconceito e selvageria”, segundo Santos, “essa é uma lição do passado e queremos ir para o futuro”.

O Senado também criou uma CPI para o tema. A CPI do Assassinato de Jovens, presidida por Lídice da Mata (PSB-BA). Ela pensa serem assustadores os dados da violência e, apesar disso, percebe que são “ignorados e invisíveis para a população”. Essa CPI também visa efetivar um diagnóstico e apontar soluções para o drama das milhares de mortes anuais de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil, um dos países onde morrem mais jovens.

Comunidade LGBT

seminariolgbt congresso 2015

Além das duas CPIs que apuram o genocídio da juventude negra brasileira, nesta quarta-feira (20) começou o 12º Seminário Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) do Congresso com o tema “Nossa Vida das Outras – Empatia a Verdadeira Revolução”. Coma presença de inúmeras lideranças religiosas. Sobraram críticas à intolerância religiosa e ao discurso de ódio contra homossexuais. “O recurso da violência em nome do credo religioso constitui uma deformação do ensinamento da religião. O uso da violência nunca poderá justificar ações válidas na religião nem promover o sentimento religioso autêntico”, defende o sacerdote católico da Diocese de Lorena (SP) Wagner Ferreira da Silva.

“Tivemos de enfrentar os deputados conservadores para conseguir aprovar o ‎Seminário LGBT. O discurso de ódio está também dentro do Congresso. Nosso compromisso é confrontar o ódio com a empatia”, conta o deputado federal Jean Wyllys (PSol-RJ). O seminário é organizado pelas comissões de Legislação Participativa, Cultura e Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, a pedido dos deputados Jean Wyllys, Luiza Erundina (PSB-SP), Glauber Braga (PSB-RJ), Janete Capiberibe (PSB-AP) e Luciana Santos (PCdoB-PE).

Por Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB com informações das agências Câmara e Senado

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