Vice-procuradora da República, Ela Wiecko, renuncia ao cargo e denuncia: “É um golpe”

A vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko – número dois na hierarquia da Procuradoria Geral da República (PGR) –, foi exonerada do cargo nesta terça-feira (30), a pedido, após a divulgação de um vídeo que mostra a subprocuradora participando de uma manifestação organizada em Portugal contra o golpe em curso no Brasil e as políticas do governo interino de Michel Temer.

Detalhe: o marido de Wiecko, Manoel Castilho, que trabalhava como assessor técnico no Supremo Tribunal Federal, foi exonerado este mês por assinar uma petição de apoio ao ex-presidente Lula (mais informações abaixo).

Em entrevista ao site da revista Veja, Wiecko afirmou que o processo de impeachment de Dilma Rousseff é, de fato, um golpe e declarou que “tem muita gente dentro da instituição” que pensa como ela. 

“Eu acho que, do ponto de vista político, é um golpe, é um golpe bem feito, dentro daquelas regras”, disse Wiecko. Questionada se o golpe tinha participação do Supremo Tribunal Federal e da Procuradoria Geral da República, da qual ela faz parte, ela respondeu: “Aí tem que ser uma conversa muito mais comprida”.

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O protesto contra o governo Temer no país europeu, do qual Ela Wiecko participou, ocorreu em junho. Na ocasião, a subprocuradora foi filmada junto a outras pessoas com faixas denunciando o golpe no Brasil. Ela estava no país fazendo um curso durante suas férias.

“Pelas coisas que a gente sabe do Temer, não me agrada tê-lo como presidente. Não me agrada mesmo. Ele não está sendo delatado? Eu sei que está. Eu não sei todas as coisas a respeito das delações, mas eu sei que tem delação contra ele.”, disse Wiecko.

A participação de Wiecko no ato foi publicada nesta terça-feira (30) no site da revista. A reportagem mostrou um vídeo exibido pela TVT, no qual a vice do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aparece ao lado de estudantes e do intelectual português Boaventura de Sousa Santos, professor catedrático da Universidade de Coimbra.

Ela Wiecko é procuradora da República desde 1975. Atuou na área de direitos humanos da Procuradoria de Santa Catarina e é subprocuradora-geral da República desde 1992. Já trabalhou com projetos de enfrentamento à violência contra mulher, trabalho escravo e direito dos quilombolas.

É doutora em crimes contra sistema financeiro e foi indicada em 2012 à vaga de ministra do STF. Já integrou a lista tríplice para o cargo de procurador-geral sete vezes, a última em 2013.

O marido de Ela Wiecko foi exonerado, também neste mês, por expressar apoio a Lula 

No começo de agosto, o marido de Ela Wiecko, Manoel Volkmer de Castilho, que trabalhava no gabinete do ministro Teori Zavascki, no Supremo Tribunal Federal, como assessor técnico, foi exonerado após assinar uma petição em apoio ao ex-presidente Lula.

Castilho assinou o abaixo-assinado que diz que Lula sofre “ataques preconceituosos e discriminatórios”. No documento, juristas apoiam a iniciativa de Lula de recorrer ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) contra a atuação do juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância.

Leia a íntegra da nota divulgada pela PGR:

Nota à imprensa

Ela Wiecko Volkmer de Castilho pediu dispensa das funções do cargo de vice-procuradora-geral da República nesta terça-feira, 30 de agosto. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aceitou o pedido e assinou a portaria que será publicada no Diário Oficial da União.

Na Vice-Procuradoria-Geral da República, ela foi responsável por importantes projetos na área de direitos humanos, como a criação do Comitê Gestor de Gênero e Raça do Ministério Público Federal e a defesa da legalidade da Lista Suja do trabalho escravo. Também teve atuação de destaque no Conselho Superior do Ministério Público Federal e nos processos junto à Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça.

Portal CTB com G1

Foto: O Cafezinho

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