Temer reconhece que impeachment de Dilma em 2016 foi na verdade um golpe de Estado

Numa declaração surpreendente no programa Roda Viva da TV Cultura da noite de segunda-feira, o ex-presidente Michel Temer qualificou a deposição da presidenta Dilma Roussef em 2016 de “golpe” e chamou Lula de “presidente”. Revelou que pretendia atuar com Lula para evitar o golpe, mas a interdição de sua posse na Casa Civil, por decisão monocrática do juiz Gilmar Mendes, teria inviabilizado a articulação.

Resultado de imagem para foi golpe

“Eu jamais apoiei ou fiz empenho pelo golpe”, disse o emedebista, que assumiu a presidência após a queda de Dilma em 2016. Em sua explanação, Temer não se preocupou em usar o termo “golpe”, algo que nunca tinha feito, e ainda revelou que tentou impedir o avanço do processo do impeachment após um telefonema do ex-presidente Lula. Ele acredita que a posse de Lula teria evitado o golpe.

Forças poderosas

A admissão de Temer enterra de vez o discurso das classes dominantes de que teria havido um processo regular de impeachment contra Dilma. O ex-presidente foi um protagonista importante do golpe e acabou sendo devorado no processo, por trás do qual atuaram forças e personalidades muito mais poderosas e relevantes do que o líder emedebista, cabendo destacar o grande empresariado brasileira, no campo e na cidade (quem não se lembra do pato da Fiesp?), oficiais das Forças Armadas, ministros do STF, a mídia burguesa e os EUA, que instruíram o juiz Sergio Moro e a força tarefa da Operação Lava Jato.

A Lava Jato foi peça essencial do golpe de Estado, que teve um segundo capítulo com a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, maior líder popular da nossa história, que foi impedido de participar das eleições presidenciais de 2018. A condenação e prisão injustas Lula, sem base em provas concretas e fundada numa delação premiada de um empresário, obtida a fórceps, abriu o caminho para a eleição de Jair Bolsonaro e a ascensão da extrema direita ao poder.

Lágrimas de crocodilo

A mídia burguesa, liderada pelas Organizações Globo, teve um papel central em toda conspiração, atuando em sintonia com a força tarefa da Lava Jato. A rede de comunicação da bilionária família Marinho também apoiou o golpe militar de 1964 e 50 anos depois divulgou um comunicado admitindo o fato e pedindo desculpas, episódio em que os céticos enxergaram lágrimas de crocodilo.

Ninguém sabe quanto tempo levará para um novo pedido de desculpas da bilionária família, cujo DNA golpista é transparente na história. O fato é que aos poucos o real caráter dos acontecimentos que resultaram no golpe de 2016 e na tragédia da eleição do capitão neofascista.    Umberto Martins

Compartilhar: