Sob o governo Bolsonaro, polícia se julga com carta branca para matar

Moradores e representantes de movimentos sociais realizaram nesta quinta-feira (26) uma manifestação na BR-101, em Umbaúba (SE), contra o assassinato de Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos por policiais rodoviários federais. Fogo foi colocado em pneus, as duas vias da rodovia foram fechadas e uma fila de veículos se formou no local

Moradores protestam contra morte de Genivaldo, morto após abordagem da PRF, queimando peneus em via pública - Metrópoles

Nesta semana o Brasil foi palco de dois brutais crimes praticados pela polícia. Duas operações da Polícia Civil do Rio de Janeiro na terça-feira (24), uma na Vila Cruzeiro e outra em Juramento, deixou pelo menos 26 pessoas mortas. O procurador da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Rodrigo Mondego, disse que existe uma suspeita de tortura e execução durante a ação.

“Existe indícios de execuções, em algumas regiões. Indícios de que pelo menos uma pessoa foi torturada antes de ser morta, ontem. E existe indícios de mortos a facadas. Então, a gente está aguardando o desenrolar da perícia do IML para ver em que condições essas pessoas foram mortas”, disse Mondego.

No dia seguinte, quarta-feira (25), em Umbaúba (SE), Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, morreu após ser abordado por policiais rodoviários federais, que fizeram uma “câmera de gás” em uma viatura e o trancaram dentro, o que lembra as execuções nos campos de concentração nazistas.

Sua mulher, Maria Fabiana dos Santos, caracterizou a morte como assassinato, um crime em que “agiram com crueldade para matar”. Acrescentou, emocionada durante entrevista a um canal de TV, que seu marido “nunca fez mal a ninguém”. Laudo do Instituto Médico Legal aponta que a morte foi causada por asfixia mecânica e insuficiência respiratória aguda. Familiares dizem que Genivaldo chegou morto ao hospital.

Não foi fatalidade, foi crime

“Eu não chamo nem de fatalidade. Isso aí foi um crime mesmo, eles agiram com crueldade pra matar mesmo ele”, afirmou a viúva, Maria Fabiana dos Santos. Segundo familiares, a vítima tinha esquizofrenia e tomava remédios controlados havia cerca de 20 anos.

“Eu vivo com ele há 17 anos, tem 20 anos que tem o problema dele. Nunca agrediu ninguém, nunca fez nada de errado. Sempre fazendo as coisas pelo certo. E num momento desses pegaram ele e fizeram o que fizeram”, disse Maria Fabiana em entrevista.

Genivaldo tinha 38 anos e estava em uma moto quando foi abordado por três policiais. Vídeo do momento da abordagem mostra ele sendo revistado, com as mãos para cima, e, em seguida, sendo imobilizado no chão.

A vítima teve o pescoço pressionado pela perna de um dos agentes, e suas mãos e pés ficaram amarrados. O homem acabou sendo colocado na viatura, de onde podia ser vista fumaça saindo de dentro. As pernas dele ficaram para fora do porta-malas, sendo pressionada pela porta por um dos agentes.

De acordo com a PRF, Genivaldo havia resistido à abordagem e, em razão da sua agressividade, foram empregadas técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo para sua contenção.

Testemunhas que estavam no local negam ter havido resistência. “Em nenhum momento ele exibiu força pra não deixar ‘coisar’. Inclusive, na hora que foi abordado, ele levantou as mãos, levantou a camisa e mostrou que não estava com arma nenhuma”, disse Wallison de Jesus, sobrinho de Genivaldo que estava no local.

O corpo foi liberado do IML, em Aracaju, por volta das 22h30 de quarta-feira. O velório ocorre na casa da mãe do homem, no povoado Mangabeira, em Santa Luzia do Itanhy. Além da esposa, Genivaldo deixa um filho.

A reação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), ao anunciar que abriu procedimento disciplinar para apurar a conduta dos agentes, foi sinalizar que o culpado é a vítima. Numa nota cinicamente mórbida, a Superintendência da PRF insiste na narrativa de que Genivaldo teria resistido à abordagem policial, o que justificaria o assassinato, mas tal versão foi desmentida por testemunhas oculares da truculência.

Os crimes desta semana, em Sergipe e na capital carioca, mostram que as forças policiais, cuja missão constitucional é zelar pela segurança da sociedade, estão se sentindo com carta branca para matar, e permanecer impune, sob o governo do miliciano neofascista Jair Bolsonaro.

Veja a nota cínica divulgada pela assessoria de comunicação da PRF:

 

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