Seminário discute ações de combate à violência contra mulheres

Preocupada com os altos indíces de violência no estado do Sergipe, a União Brasileira de Mulheres promoveu na última sexta-feira (13) um Seminário sobre Gênero, Mídia e Violência.

O evento aconteceu em Aracaju, no Auditório do Sindicato dos Bancários de Sergipe e fez parte do projeto “Fortalecer o Protagonismo no Enfrentamento a Violência contra as Mulheres e na Democratização da Mídia”, que é desenvolvido pela UBM.

O projeto busca contribuir para o enfrentamento à violência contra a mulher, combater as formas de discriminação às mulheres nos meios de comunicação e incentivar o controle social sobre a veiculação de conteúdos discriminatórios na mídia em geral.  Além de capacitar e qualificar as mulheres, estimulando a participação delas na campanha de prevenção contra toda forma de violência contra as mulheres nos espaços públicos e privados, visa também exercer o controle social sobre a implementação da Lei Maria da Penha e do Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência contra as Mulheres.

Números da violência

Só em Aracajú, pelo menos dez mulheres são vítimas de violência doméstica, por dia. Esta tem sido a média de boletins de ocorrência registrados na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) da capital. Até a última quinta-feira, tinham sido registradas 121 ocorrências. Desses, 35 se transformaram em inquéritos policiais. Segundo a delegada responsável pela especializada, Renata de Abreu Aboim, na maioria dos casos, essas mulheres são vítimas de ameaça, lesão corporal leve e crimes contra a honra. Mas em municípios do interior, muitas vezes, os casos de violência contra o sexo feminino acontece com mais brutalidade.

No ano passado, foram registrados 2.955 BOs de violência contra a mulher na Deam e instaurados 948 inquéritos policiais. Na capital, no entanto, a delegada disse que tem chamado a atenção a quantidade de casos de violência relacionada a álcool e outras drogas, principalmente o crack. “Crimes que são cometidos pelo agressor quando está sob efeito de drogas ou quando na busca por consumi-la, quer pegar objetos de casa ou dinheiro para trocar pelo entorpecente”, disse. Segundo Renata Aboim, além de companheiras, tem sido registrados casos de muitas mães agredidas pelos filhos.

Ações de combate

Diante deste cenário, o objetivo dos seminários é fortalecer o protagonismo das mulheres e estão acontecendo em 17 cidades: Teresina, João Pessoa, Olinda, Campinas, São Paulo, Belo Horizonte Vitória, Betim, Curitiba, Rio Branco, Manaus, Sergipe, Vitória da Conquista, Brasília, Cuiabá e Goiânia.A proposta é que essas 50 mulheres atuem como multiplicadoras do conteúdo visto durante o seminário, atingindo milhares de outras nas comunidades onde vivem. Nos 16 Estados onde o seminário foi realizado, participaram 850 mulheres, com expectativa de repercussão para 50 mil.

De acordo com a integrante da coordenação da UBM em Sergipe, Marta Olívia Costa, a ideia principal é capacitar essas mulheres para identificar informações discriminatórias sobre a imagem da mulher, para que elas tenham condições de exercer um controle social do que faz bem à sua imagem e de seus filhos. “Para que elas se tornem protagonistas de sua história. É isso que nós estamos procurando fazer e passar para elas”, disse, ressaltando que a violência não e apenas física, mas também psicológica, além da violência simbólica.

Violência simbólica

Sobre a violência simbólica, a coordenadora disse que é comum, principalmente em comerciais veiculados na televisão, aparecerem imagens de mulheres brancas, bonitas, com um padrão de beleza que geralmente destoa da diversidade étnica das brasileiras. “É um padrão de beleza que deve ser derrubado, pois existe uma variedade de mulheres que deve estar na mídia. E a partir dessa capacitação queremos que a mulher esteja em condições de identificar isso e tornar-se protagonista”, acrescentou.

A secretária adjunta da Secretaria de Estado de Política para Mulheres, Ivânia Pereira, ressaltou a importância do evento para que as mulheres tenham condições de identificar no conteúdo da mídia o que tem contribuído para promover o fim da violência contra a mulher e o que tem estimulado. Ela disse que a partir do seminário durante um ano essas mulheres irão fazer uma análise do conteúdo veiculado na mídia – impressa, televisão e rádio – sobre o sexo feminino. “A ideia do projeto não é fazer uma crítica à mídia, mas se disponibilizar para contribuir para uma reflexão do que pode ser feito de forma diferente, não tornando a vítima ré, mas tratando a mulher com dignidade e cidadania”, afirmou Ivânia. Depois da análise, com os dados compilados, a UBM irá expor o material e fazer uma campanha com a mídia.

A programação do seminário foi aberta com um café da manhã, com o lançamento do projeto “O protagonismo da mulher e a democratização da mídia”, num café da manhã. Em seguida foi feita a apresentação e debate, com a participação da coordenadora nacional do projeto da UBM, Dóris Margareth; da secretária de Estado de Políticas para as Mulheres, Maria Teles; da adjunta da SEPM, Ivânia Pereira e da radialista Magna Santana.

 

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