Retrocesso ao voto impresso proposto por Bolsonaro avança no Congresso

A bandeira bolsonarista do voto impresso, que já conquistara a adesão do PDT de Ciro Gomes, há um mês, avança agora sobre o PSDB. Os dois integrantes dos tucanos na comissão que analisa a proposta, Aécio Neves (MG) e Nilson Pinto (PA) também apoiam a proposta de Bolsonaro que se traduziu num projeto da deputada de extrema-direita Bia Kicis (PSL-DF).

Aécio, como Bolsonaro, tem em sua história o questionamento de resultados eleitorais em pleitos com as urnas eletrônicas. Aécio contestou o resultado da eleição em 2014, depois de ter sido derrotado por Dilma Rousseff. Bolsonaro alegou fraude na eleição em que venceu, em 2018.

Levantamento realizado pelo jornal O Estado de S.Paulo com os  32 deputados da comissão que analisa o tema na Câmara mostra que 21 são favoráveis e apenas quatro se opõem. Outros sete afirmaram ainda estar indecisos. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, passou quatro horas nesta quarta-feira, 9, debatendo o assunto com os parlamentares e afirmou que a medida representa um “retrocesso”, mas que, uma vez aprovado, o velho sistema será restaurado.

Segundo a reportagem, adversários do governo veem na impressão do voto uma possibilidade de auditoria para frear o discurso de fraude eleitoral adotado por Bolsonaro. O PT e a Rede são os únicos partidos que se colocaram contrários à medida na comissão. A aprovação no colegiado é o passo mais importante para a proposta, sem a qual a discussão não chegaria aos plenários da Câmara e do Senado.

No Brasil as fraudes eram corriqueiras quando o voto era impresso, facilitando a criação dos chamados currais eleitorais. Depois da adoção da urna eletrônica, há 25 anos, nunca mais se ouviu falar em adulteração dos votos até a emblemática eleição de Jair Bolsonaro.

Nesta quarta, em evento com líderes evangélicos em Anápolis (GO), o presidente repetiu que a disputa de 2018, quando se elegeu, foi fraudada; caso contrário, teria vencido no primeiro turno. “A fraude que existiu me jogou no segundo turno. Tenho provas materiais disso”, disse Bolsonaro. Apesar de ter prometido, ainda em março de 2020, apresentar as provas de irregularidades, o presidente genocida nunca mostrou qualquer evidência disto.

A verdade é que ele não quer sair mais do Palácio do Planalto e, com a popularidade em queda, procura abrir caminho para mais um golpe de Estado. O povo está atento e fará mais uma demonstração de seus anseios políticos nas manifestações convocadas pela CTB, as outras centrais e os movimentos sociais reunidos na campanha nacional Fora Bolsonaro para o próximo dia 19.

Com informações do 247

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