Profissionais da educação básica param o país nesta quinta (30)

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A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) organizou uma Greve Nacional dos trabalhadores da educação básica do país, marcada para acontecer nesta quinta-feira (30), com o objetivo de unificar “a luta dos trabalhadores em educação”. Marilene Betros, diretora executiva da CTB e dirigente da APLB-Sindicato, na Bahia, explica que essa paralisação vem sendo preparada há tempos em favor da regulamentação do Plano Nacional de Educação (PNE), “fundamental para colocarmos a educação pública como prioridade absoluta do Estado brasileiro”, assevera.

A paralisação dos profissionais da educação básica faz parte da 16ª Semana em Defesa da Educação Pública e “visa chamar a atenção da sociedade sobre a situação vivenciada pelos educadores com condições de trabalho ruins e escolas sem infraestrutura suficiente para atender os alunos”, reclama Isis Tavares Neves, presidenta da CTB-AM e dirigente da CNTE. Ela realça a necessidade de ampliação do debate em torno da “valorização dos profissionais e da criação de políticas públicas de inclusão e da criação da escola integral com qualidade”, defende. A começar, segundo Isis, da denúncia dos governadores e prefeitos que se recusam a pagar o Piso Nacional do Magistério. “O não reconhecimento do Piso por muitos gestores estaduais e municipais causa transtornos irreversíveis ao desenvolvimento dos trabalhos. Se não pagam nem o Piso, que dirá investir em infraestrutura e aprimoramento profissional?”, questiona.

marilene betrosMarilene quer 10% do PIB em educação

Outro ponto importante das reivindicações destacado por Marilene refere-se à criação do Sistema Nacional de Educação. “Isso precisa acontecer para haver regulação do setor no país inteiro. Tanto na educação pública, quanto na privada”, reforça. De acordo com a educadora cetebista somente com a criação desse sistema é que se pode “criar um regime de colaboração entre a União, os estados e os municípios, dividindo as responsabilidades e todos juntos tornarem a educação a prioridade das prioridades”.

De acordo com Isis, o movimento também se solidariza com os professores em greve no país afora, principalmente “os trabalhadores em educação do Paraná e de São Paulo pela recusa dos governadores tucanos desses estados em dialogar com os trabalhadores. No Paraná houve repressão policial pela madrugada a professores desarmados. Em São Paulo, o governador não dialoga e um segurança atirou contra professores que colavam cartazes em postes, na zona leste da capital. Num estado onde há salas de aula com 140 alunos”, denuncia a educadora amazonense. Segundo ela, a greve desta quinta-feira é para “chamar a atenção da sociedade para a importância estratégica da educação”.

Tanto Isis quanto Marilene lembram a necessidade de implementação do PNE com maiior rapidez. Elas apregoam a implantação com urgência dos isis tavares nevesIsis denuncia falta de compromisso de governadores e prefeitos com o Piso Nacionalplanos de educação estaduais e municipais para dar prosseguimento à regulamentação do PNE e consequente empoderamento da educação. “Precisamos chamar a atençaõ principalmente dos trabalhadores, pois são seus filhos que estão matriculados nas escolas públicas”, ressalta Isis. “Para o Brasil ser realmente uma pátria educadora é fundamental aumentar os investimentos nessa área estratégica para o desenvolvimento de qualquer país”, reforça Marilene.

Marilene assinala avanços que ocorreram na última década com o aumento substancial de alunos nas universidades e melhorias em todos os níveis educacionais, como a própria criação do Piso Nacional do Magistério. Mas “ainda tem que mudar muito para termos uma escola capaz de corresponder à demanda dos alunos”, acentua. “A escola precisa ser acolhedora para as crianças e jovens sentirem prazer em estudar”.

Por Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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