Pistoleiros e fazendeiros matam índio em massacre à aldeia nesta terça (14), no Mato Grosso do Sul

Movimentos fazem manifestação para denunciar o massacre e pedir justiça

Fazendeiros e pistoleiros fortemente armados atacaram uma aldeia da etnia Guarani e Kaiowá, da terra indígena Dourados-Amambai Peguá, município de Caarapó, em Mato Grosso do Sul (MS), nesta terça-feira (14).

Segundo testemunhas os invasores entraram na terra indígena – à espera de demarcação – em 60 caminhonetes, atirando para todos os lados. “Conseguiram encurralar a gente, se organizaram em dois grupos”, conta Elson, liderança do Tekoha Tey Jusu.

“A situação está muito tensa na região, porque os fazendeiros se armaram para retomar uma fazenda ocupada pelos índios”, diz Ricardo Martins Froes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no MS.

Froes explica que a “demora na demarcação das terras indígenas insufla esses conflitos”. A tendência, segundo ele, é piorar. “O governador do estado é do PSDB e latifundiário e agora com esse governo golpista, os fazendeiros sentem-se acima da lei”.

O pânico foi geral e o agente de saúde Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, da etnia Guarani e Kaiowá, de apenas 26 anos, foi morto com tiros pelas costas. Outros dez foram feridos, inclusive uma criança de 12 anos.

Em protesto ao ataque, a Secretaria de Saúde Indígena, do Ministério da Saúde, divulgou nota onde lamenta e denuncia a morte de Clodiodi. “O jovem agente foi morto covardemente, por homens armados que atiraram em cerca de mil indígenas”.

No domingo (12), cerca de 100 famílias Guarani e Kaiowá ocuparam o território de Tekoha Toropaso, onde fica a Fazenda Yvu (local onde fica a aldeia que foi atacada). “Quando chegamos lá, não tinha ninguém na fazenda, só um funcionário que era indígena. Explicamos nossa luta e ele se propôs a ficar com nós”, diz S.T. 

ataque

Depois do ataque, Elson diz que os índios estão muito revoltados com o que aconteceu e esperam providências imediatas das autoridades. “O povo guarani vai fazer o velório e enterrar lá, com a presença da Polícia Federal, a gente acionou o quanto antes para não acontecer isso que aconteceu”.

Já as lideranças indígenas e diversos movimentos sociais taxaram o ataque como uma ação paramilitar. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário “foram registrados ao menos vinte e cinco casos similares entre os Guarani e Kaiowá no estado”.

Movimentos e entidades da sociedade civil organizada lançaram nesta quarta-feira (15) um abaixo-assinado para denunciar a situação perigosa para as nações indígenas do MS.

“Nós exigimos às instâncias do Poder Público, em especial ao Ministério da Justiça, que tome providências imediatas e efetivas, afim de cessar os ataques paramilitares, punir os responsáveis pelo Massacre de Caarapó e garantir medidas de proteção imediata aos povos indígenas da região”, diz o manifesto (leia a íntegra do texto e assine aqui).

“Se nenhuma providência for tomada com urgência pelos órgãos competentes, a situação pode piorar e muito”, acentua Froes. “A proporção da violência pode aumentar porque os índios estão reagindo para defender suas terras e sua gente”.

Acesse também a página do movimento Pela CPI do Genocídio, que defende a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar as mortes dos indígenas no país).

Assista os vídeos sobre a ação dos fazendeiros:

 

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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