PF manobra para “melar” entrevista de Lula

A Superintendência do Paraná da Polícia Federal, subordinada ao ministro Sergio Moro e supostamente por ordem sua, tomou uma decisão nessa quinta-feira que desrespeita a deliberação do Supremo Tribunal Federal de conceder ao ex-presidente Lula o direito de conceder entrevistas, direito este que não costuma ser negado aos prisioneiros.

Ela determinou a constituição de uma plateia para jornalistas convidados por ela própria para assistir a entrevista sem direito de fazer perguntas. A decisão viola primeiro a decisão do Supremo, já que as entrevistas devem acontecer com anuência do ex-presidente, e também os jornalistas, a prática e a ética jornalística ao permitir que profissionais de outros veículos assistam entrevistas exclusivas para outras publicações e publiquem antes uma entrevista pela qual os outros veículos lutaram na Justiça por meses.

A decisão também desrespeita o trabalho dos jornalistas e dos veículos de comunicação que há oito meses obtiveram autorização para entrevista na época das eleições, ou seja, o El País e a Folha de S. Paulo, entrevistas que ficaram suspensas por oito meses devido a uma decisão liminar cassada na semana passada.

O ex-presidente Lula encontra-se a disposição para dar entrevista para a Folha de S. Paulo e para o El País, conforme decisão obtida por eles junto ao Supremo Tribunal Federal, conforme reiterou nesta quinta sua assessoria de imprensa.

Leia abaixo o comentário do jornalista Fernando Brito, no blog Tijolaço, sobre o episódio.

É inacreditável o que a Polícia Federal, sob o comando do sr. Sérgio Moro de transformar em um espetáculo a entrevista que Monica Bergamo, da Folha, e o El País obtiveram, depois de oito meses de proibição.

Quer, por sua iniciativa, montar uma “coletiva” onde não se sabe quem participará. Inclusive gente que, sob a condição de jornalista, vai fazer o papel de agente provocador.

Não é um problema de “exclusividade”, é um atentado ao direito de qualquer pessoa, livre ou presa, de falar com quem deseja falar. Se há exceções, são as de quem exerce funções públicas – e não é o caso – que tem obrigações adicionais á dos cidadãos.

Faz muito bem o ex-presidente em dizer que está à “disposição para dar entrevista para a Folha de S. Paulo e para o El País, conforme decisão obtida por eles junto ao Supremo Tribunal Federal”.

Agora, se vão agir em nome da “liberdade de expressão”, sugere-se que se permita que Lula fale em rede, ao vivo, porque, do contrário, todos os blogs vamos exigir estar presentes a esta “coletiva”, sem que Lula tenha de anuir com quem falará.

Que vai ter de ser realizada num estádio…

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