Petroleiros de todo o país param contra o Leilão de Libra

petroleiros rn

Em protesto contra o leilão do Campo de Libra e por avanços na campanha salarial, os trabalhadores da Petrobrás iniciaram, nesta quinta-feira (17), uma greve por tempo indeterminado nas refinarias e terminais do Sistema Petrobrás.

Além do imediato cancelamento do Leilão de Libra, a categoria reivindica 5% de ganho real, condições seguras de trabalho para todos, fundo garantidor para os trabalhadores terceirizados, melhoria dos benefícios, mudanças no PCAC, entre outras reivindicações da categoria.

No último dia 09 de outubro, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) rejeitou proposta de reajuste salarial encaminhada pela Petrobras que oferece ganho real entre 1,17% e 1,5%.

Na opinião do Sindicato dos Petroleiros do Ceará e Piauí (Sindipetro CE/PI), filiado à CTB, a proposta apresentada, além de incompleta, não contempla as reivindicações dos trabalhadores.

De acordo com o Sindipetro CE/PI, a indicação de greve foi motivada não só para que a Petrobrás apresente uma proposta decente à categoria, mas para intensificar a luta pelo fundo garantidor para os trabalhadores terceirizados, pela derrota do PL 4330, que regulariza a precarização do trabalho e, pela suspensão imediata do leilão do Campo de Libra, que é uma das principais bandeiras de luta da categoria nesta campanha reivindicatória.

A greve atinge todas as refinarias, terminais, plataformas, campos de produção e demais unidades operacionais das bases com adesão de 100%.  Além das áreas operacionais, participam da greve também os petroleiros do setor administrativo e trabalhadores terceirizados.

Greve Brasil afora

Na Bacia de Campos, a greve teve adesão de pelo menos 39 plataformas, que foram entregues pelos trabalhadores às equipes de contingência que a Petrobras embarcou. O Sindipetro tem informações de que 15 unidades foram entregues com a produção de petróleo parada. O sindicato realiza agora pela manhã um trancaço no Terminal de Cabiúnas e na sede da UO-Rio, em Macaé.

Em Duque de Caxias, a adesão à greve é de 100% dos trabalhadores. Ninguém entrou na Reduc, Terminal de Campos Elíseos e na Termorio. Agora pela manhã, o sindicato realiza uma grande mobilização na Rodovia Washignton Luiz, que está fechada no sentido Petrópolis.

Nos campos de produção terrestre da Bahia, os petroleiros anteciparam a paralisação para as 20 horas nas estações de Candeias, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passe, Socorro, Marapé e Dom João. 

A greve também segue forte nas plataformas da Bacia de Campos e campos terrestres de produção de petróleo na Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Norte.

Em Pernambuco, a greve começa nesta sexta-feira (18). No Ceará, a greve começa na segunda-feira (21).

Ao longo desta quinta-feira, vários atos e manifestações contra o leilão de Libra serão realizados nas unidades da Petrobrás e nas principais capitais do país, com participação dos movimentos sociais e centrais sindicais.

No Rio Grande do Norte, haverá um grande ato às 16h30, no Calçadão de João Pessoa. A concentração a acontece a partir das 15h, em frente ao Sindsaúde, na Avenida Rio Branco.

No Rio de Janeiro, petroleiros participam  junto com outras categorias e militantes dos movimentos sociais, de uma passeata, a partir das 17h, da Candelária, em direção à Cinelândia.

Em defesa da soberania nacional

Para a CTB, a forma como o governo está conduzindo a extração do Petróleo do Campo de Libra, o maior já encontrado, é equivocada.

Na opinião do petroleiro e secretário de Relações Internacionais Divanilton Pereira, é preciso que se extraia o petróleo, no entanto, o dirigente ressalta que há outras formas de se fazer essa extração de maneira a preservar a soberania nacional.

“Sabemos que precisamos fazer essa retirada. Só que o governo alega que operou pela nova legislação, ou seja, o regime da partilha. No entanto, a proposta atual descaracterizou o próprio regime, que mesmo com seus limites, não impõe apenas o caminho do leilão. Ela permite que quando encontrarmos um campo grande como o de Libra, seja dado um tratamento diferente. Podemos convidar uma empresa para fazer isso”, destacou o cetebista.

Para o sindicalista, o Campo de Libra, com sua grandeza, não pode ficar submetido a uma política macroeconômica conservadora, ou servir para cobrir o rombo nas contas, em detrimento da soberania nacional. “O movimento social e sindical brasileiro está unificado junto com especialistas da área contra essa decisão do governo. Isso, por se só, já demonstra o equivoco da iniciativa”.

O Comitê Nacional em Defesa do Petróleo e da Cidadania , criado  para impedir o leilão das áreas do pré-sal, também  apresentou várias ações judiciais com o objetivo de evitar a realização do evento desta segunda-feira (21). Um dos principais argumentos é que a nova lei diz que áreas estratégicas devem ficar com a Petrobras.

“Pela própria lei, há caminhos alternativos que não seja o leilão”, destacou o Divanilton Pereira.

O leilão de Libra, o maior descoberto até agora, está marcado para 21 de outubro, e está sendo usando para fazer um teste dos leilões nesta área, estratégica para o país. O processo terá a participação de 11 empresas, incluindo estrangeiras e a Petrobras. 

 

Portal CTB

Compartilhar: