Petrobras faz proposta horrorosa para cortar despesas e petroleiros ameaçam outra greve

A gestão de Pedro Parente à frente da Petrobras tem sido tumultuada desde o primeiro dia na relação com os petroleiros, mas a temperatura atingiu novos níveis na última sexta-feira (16), depois da última reunião entre a diretoria e as entidades de trabalhadores.

Além de desrespeitar os termos do acordo coletivo firmado em novembro, oferecendo um reajuste de 4,97% (frente aos 10,67% de inflação de 2015), a empresa falou em corte de pagamentos a horas extras e até de redução nos turnos de trabalho dos funcionários. Por fim, tentou convencê-los de que os funcionários mais bem pagos não precisariam de reajuste.

A resposta foi um fragoroso “NÃO” por parte dos petroleiros.

“A proposta apresentada pela Petrobras é afronta aos trabalhadores. A FUP e seus sindicatos darão uma resposta dura”, externou o coordenador da Federação Única dos Petroleiros, José Maria Rangel, em um comunicado oficial. “Nada vai garantir as nossas reivindicações, a manutenção do nosso salário, se não for a luta. A FUP e seus sindicatos darão uma resposta dura”, diz a nota, mais adiante.

A indignação em torno das medidas de Parente são um caso constante desde que ele assumiu o controle da estatal, por determinação de Michel Temer. A missão que lhe foi incumbida é contrária a tudo o que foi feito desde 2003: em seu novo plano de negócios, a Petrobras reduz por conta própria a meta de produção de petróleo no Brasil, favorece a venda de pedaços da companhia, tanto no Brasil quanto no exterior, e facilita a entrada de concorrentes de outros países nos campos que ela descobriu.

“Eles estão usando os problemas financeiros como uma desculpa, e nós não vamos tolerar isso”, disse à Reuters o líder petroleiro Deyvid Bacelar, fazendo referência ao discurso da nova cúpula. A Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET) corrobora essa posição: em carta aberta, critica os novos caminhos da empresa desde o golpe de Estado.

“Através de carta, a AEPET reitera que existem alternativas ao plano de privatização já em curso e que pode alienar cerca de um terço do patrimônio da estatal. A venda de ativos rentáveis compromete o fluxo de caixa futuro, entrega o mercado nacional aos competidores privados ou intermediários, fragiliza o desenvolvimento tecnológico soberano, transfere a propriedade de riquezas naturais finitas e estratégicas”, escreve a AEPET.

Greve em defesa do Brasil

Baceltar explica que, entre a oferta empobrecida da última reunião e o plano de desmonte colocado em curso, as chances de uma greve de dimensões nacionais cresce cada vez mais. “Como no ano passado, o salário não é a coisa mais importante”, completa.

A última greve levada adiante pela categoria, em novembro de 2015, atingiu proporções dramáticas, e foi disparada por outra tentativa de desmonte da empresa. Quase uma centena de plataformas de extração de petróleo foram paralisadas em toda a costa brasileira, especialmente no Rio de Janeiro.

Na época, o secretário de Relações Internacionais da CTB e também petroleiro, Divanilton Pereira, explicou o tamanho da comoção: “A greve não se refere a uma questão econômica, é uma defesa da Petrobras e seus investimentos. É uma pauta em defesa do Brasil. O novo plano de negócios que a Petrobras definiu retira mais de R$ 500 bilhões de investimento até 2019, e isso tem um impacto na economia de quase 1,5% do PIB brasileiro. Os terceirizados estão sendo demitidos, os cortes de investimentos prejudicam as atividades, tem gente desembarcando por conta de plataformas desativadas, a indústria naval está rompendo contratos”.

Além da FUP, a Federação Nacional dos Petroleiros também manifestou intensa irritação com a nova proposta. Entre as duas, estão representadas 19 entidades sindicais do setor.

Portal CTB

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