Pesquisa indica que casos reais de coronavírus no Brasil já superam a casa dos 4 milhões

Estatísticas das secretarias estaduais de Saúde divulgadas na manhã desta quinta-feira indicam que foram registrados 257.396 casos do novo coronavírus (Sars-CoV-2) até o momento, com 16.941 mortes. Mas esses dados subestimam a realidade em função da carêmcia de testes em massa e a decorrente subnotificação. O número real de pessoas infectadas é 16 vezes maior, o que significa 4.118.331 indivíduos.

A estimativa é da Comissão RJ no Combate ao Covid-19, que está mapeando os casos não notivicados da doença no Rio de Janeiro, colhendo informações online disponível para toda a população preencher.

Pesquisa científica

Trata-se de uma pesquisa científica coordenada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro e conta com a participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O acompanhamento está sendo feito por um grupo de pesquisadores de várias instituições do país, como Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Brasília (UnB), Uerj, UFRJ, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal da Bahia e Fiocruz, entre outras. As análises estão disponíveis no site Covid-19 Brasil.

A subsecretária de Ensino Superior, Pesquisa e Inovação, Maria Isabel de Castro Souza, que também é professora da Uerj, explica que a ferramenta vai gerar dados geoposicionados da população, o que permitirá cruzar as informações entre o percentual de casos notificados e subnotificados da covid-19.

Subnotificação

“O questionário visa demonstrar o que não está aparecendo nos registros oficiais. Vários trabalhos realizados até o momento indicam que existe um percentual da população que não está sendo testado, pessoas expostas de várias formas à doença e que se apresentam assintomáticas, muitas das vezes em ambientes contaminados”.

Após a análise dos dados obtidos, Maria Isabel destaca que será possível implementar ações efetivas no combate à pandemia, como a criação de novos leitos para internação de acordo com os locais com mais casos subnotificados e o reforço da necessidade de isolamento em comunidades mais afetadas.

O pesquisador Fernando Sanches, do Departamento de Segurança e Saúde do Trabalhador da Uerj, explica que o preenchimento é voluntário e vai contribuir para a análise nacional sobre a pandemia.

“Os grupos de pesquisa pegam esse dado e fazem um cruzamento com os dados oficiais. Com isso, o estado vai conseguir ver mesmo aqueles que ainda não foram notificados, ou por falta de teste ou por demanda muito grande dos laboratórios. Tem pessoal o suficiente para fazer a análise dos testes? Pode estar demorando para sair o resultado. Quando você disponibiliza o formulário para a população ajudar nesse monitoramento, facilita e mais pra frente vamos ter a avaliação desse impacto”.

A subnotificação dificulta o combate à doença e favorece o avanço da pandemia, uma vez que muitas pessoas infectadas são assintomáticas e sequer têm consciência de que são portadores e transmissores do vírus. Isto ocorre principalmente pela carência de testes, o que decorre da negligência irresponsável com que o governo de Jair Bolsonaro trata o tema.

Com informações da Agência Brasil

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