Pesquisa Ibope indica quem lidera a disputa eleitoral nas capitais

Na esquerda estão na liderança Manuela d’Ávila (PCdoB), com 24% das intenções de voto em Porto Alegre (RS), João Campos (PSB) com 23% das intenções de voto em Recife (PE); e Edmilson Rodrigues (PSOL), que possui 39% em Belém (PA)

Os resultados da pesquisa Ibope nesta segunda-feira (5) em 11 capitais revelam um quadro onde se destacam as candidaturas de forças conservadoras, de direita e centro direita, e as que conseguiram certa unidade no campo progressista. Em Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD) lidera com 58% das intenções de voto.

Na esquerda estão na liderança Manuela d’Ávila (PCdoB), com 24% das intenções de voto em Porto Alegre (RS), João Campos (PSB) com 23% das intenções de voto em Recife (PE); e Edmilson Rodrigues (PSOL), que possui 39% em Belém (PA).

Os números mostram que os partidos do chamado Centrão, hoje base de apoio do governo Bolsonaro, se saem melhor na primeira rodada de intenção de voto, principalmente por serem aqueles que contam com um efeito recall. Em alguns casos, são mais conhecidos por serem os que buscam a reeleição ou por já terem assumido algum cargo público de relevância anteriormente.

Dos líderes na pesquisa, considerando a margem de erro de três pontos para mais ou para menos, quatro estão em legendas que compõem a base de apoio do presidente Jair Bolsonaro, como Republicanos, PSD e PP.

Além de Alexandre Kalil, outros quatro são do DEM, como Gean Loureiro, que lidera com folga em Florianópolis (SC), com 44% dos eleitores, segundo pesquisa divulgada na segunda-feira.

Se as legendas conservadoras figuram no topo, no campo progressista o PT vê em capitais como Recife (PE), Belém (PA) e Porto Alegre (RS) o sucesso de candidaturas de partidos do mesmo campo ideológico, como PSB, PSOL e PCdoB, enquanto seus nomes isolados em algumas cidades patinam ou nem pontuam.

Avaliação

Na avaliação de Ricardo Ismael, professor do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio, os candidatos que lideram e contam com o apoio de Bolsonaro saem na frente também por conta da imagem conhecida. Como nesta eleição ele acredita que o efeito Bolsonaro não terá a mesma magnitude que 2018, quando desconhecidos forem eleitos, será fundamental ter o que mostrar, como propostas e conhecimento da cidade que vai governar.

Outro fator que pesa é a questão da competitividade da candidatura. Na avaliação do pesquisador Eduardo José Grin, da FGV, hoje o campo da direita tem uma fragmentação de candidatos, prejudicando a unidade em torno de um nome. Ele explica que, se há candidaturas competitivas, outras no mesmo campo ideológico apresentam dificuldades em ganhar tração.

“Ainda tem a própria insignificância desses deputados que surfaram na onda bolsonarista, que, do ponto de vista de densidade eleitoral, ainda são frágeis, não se apresentam de modo crível. A inexpressividade (apresentada na pesquisa) não é nada espantoso”, destaca Grin.

Na disputa municipal, a decisão do voto costuma ser pragmática e voltada para temas da cidade.

“Candidaturas que fogem dos extremos políticos tendem a ganhar fôlego porque abordam temas concretos e locais. É o caso do centrão em várias capitais”, ressalta Fernanda Cavassana, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Potencial de crescimento

No campo da esquerda, Ismael afirma que os primeiros resultados não são animadores para o PT que, além de tentar recuperar a imagem do desgaste causado pela Operação Lava-Jato, tem partidos do mesmo campo com candidatos mais competitivos:

O partido ainda administra um prejuízo. Vai ter que brigar mais para se destacar. Na avaliação dos cientista políticos, o fator “Lula” pode fazer diferença. Por isso, o potencial de crescimento do PT hoje é maior do que o de algumas legendas de direita, como PSL e PRTB.

“A foto do momento aponta que o PT perdeu espaço, mas pode crescer, um cabo eleitoral como Lula não é desprezível. Hoje o PSL não tem nenhum cabo para puxar voto”, ressalta Grin.

Com Vermelho e O Globo

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