Para Requião, medidas de Temer causarão uma guerra civil de consequências imprevisíveis

Em discurso histórico na sessão final do processo de impeachment, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), diz que as medidas do governo golpista de Michel Temer farão o Brasil ser novamente subserviente aos interesses dos Estados Unidos.

“Congelar por duas décadas as despesas com saúde, educação, infraestrutura…” é uma afronta à nação. “Barbaridade maior ainda se um senador ou senadora aprovar isso”, diz Requião. “Preparados para a guerra civil?, então entrincheirem-se”, acredita ele se isso vier a ocorrer.

Porque, para ele, o povo que teve importantes conquistas na última década não vai se calar diante desses ataques a seus direitos. Durante os 10 minutos de seu discurso, Requião desnuda a trama golpista.

Ele começa repetindo uma frase de Tancredo Neves, um político mineiro conservador, mas em 1964, ele atacou o presidente da Câmara dos Deputados, Moura Andrade, que declarou vaga a Presidência da República com o presidente João Goulart em território nacional, alegando não saber do fato.

Tancredo, que é avô de Aécio Neves, mas não cedeu aos golpistas e gritou em alto e bom som: “canalha, canalha, canalha” para Andrade. Requião diz que “a inocência do relator (Antonio Anastasia, PSDB-MG) é a mesma de Moura Andrade, declarando vaga a Presidência”.

Já o neto de Tancredo Neves, Aécio, não engole a sua derrota na eleição presidencial de 2014 e conspira abertamente contra a democracia.

O senador paranaense lista as “maldades” de Temer que estão no Congresso Nacional para serem votadas se o impeachment da presidenta Dilma for consumado.

Ele começa falando que “desvincular o reajuste de aposentadorias e pensões do aumento do salário mínimo”, será “um massacre contra mais de 20 milhões de brasileiros” e tudo isso para “pagar juros da dívida”.

Ataca também a proposta de impor o “negociado sobre o legislado”, além de retirar as “tímidas conquistas de igualdade de gênero”. Além de entregar o pré-sal, vender terras a estrangeiros e entregar o Aquífero Guarani, uma das mais importantes reservas de água do mundo.

Para o senador, os atos dos golpistas reduzirão “o Brasil a um medíocre Estado associado, outro Porto Rico”. Ele afirma que “esse entreguismo alimenta a luta de classes”. Aí lê trecho da Carta Testamento do ex-presidente Getúlio Vargas, que se matou em 1954 para evitar um golpe de Estado no país.

“Razão, alma e coração. Não ao impeachment. Um governo de aliança e entendimento nacional”, conclui Requião e defende a convocação de um plebiscito para decidir sobre novas eleições com Dilma de volta à Presidência.

Assista o forte discurso do senador paranaense 

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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