Palestrantes apontam desafios para desenvolvimento rural e avaliam Censo Agropecuário

As exposições dos professores Tânia Bacelar, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE),  e Arilson Favareto, da Universidade Federal do ABC (SP), subsidiaram a discussão do tema Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário no seminário regional promovido pela Contag, em Fortaleza, nesta segunda-feira (5). O painel foi coordenado pelo secretário de Políticas Sociais da Contag, José Wilson Gonçalves. “Este debate é fundamental para a Contag porque precisamos definir o tipo de desenvolvimento que queremos para a agricultura familiar brasileira”, afirmou o dirigente.

Tânia Bacelar apresentou a conjuntura do mundo rural e constatou que o Brasil vive uma mudança no paradigma tecnológico com a emergência dos transgênicos e a aplicação da biotecnologia à produção agrícola, o aumento da demanda por alimentos e a disputa das terras para a produção de biocombustíveis. Segundo a professora, não é possível ter uma proposta única de desenvolvimento rural para o país inteiro. “É preciso desenvolver estratégias regionais específicas. Neste sentido, a Contag acerta quando opta por discutir essa questão regionalmente”, disse. No caso do semi-árido nordestino, ela defendeu a necessidade de a região rever sua vocação produtiva.

Ele também afirmou que a luta pela mudança da estrutura fundiária e o investimento na capacitação dos produtores familiares são duas tarefas prioritárias para a agricultura familiar enfrentar a concorrência com o modelo agropecuário patronal. Tânia Bacelar considerou também que é fundamental que a Contag ocupe espaços políticos no Parlamento, pois a “a maior bancada no Congresso Nacional é a bancada ruralista”.

Censo agropecuário 

O professor Arilson Favareto fez uma análise dos dados do Censo Agropecuário 2006, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na semana passada. Segundo ele, apesar do investimento do governo federal no programa de reforma agrária, a estrutura fundiária não foi alterada, mas, pelo contrário, houve aumento da concentração de terras. Neste sentido, permanece inalterada a convivência conflituosa entre os dois modelos de produção agropecuária no País.

O palestrante destacou que o Brasil está produzindo mais, com uma ocupação menor de terras e que o censo mostrou o fim do êxodo generalizado no meio rural. Favareto constatou também que a modernização da agricultura não traz desenvolvimento rural, o que reforça a importância do Programa de Territórios da Cidadania do governo federal e a emergência da abordagem da territorialidade.

De acordo com o professor, os cenários futuros projetam grandes desafios para o movimento sindical do campo e para o governo federal. “A Contag necessita diversificar a sua pauta e interlocutores, sob pena de diminuição de sua base de representação, e o Estado também precisa criar novas instituições para dar resposta às demandas do desenvolvimento rural sustentável”, afirmou.

Fonte: Ronaldo de Moura, Agência Contag de Notícias 

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