“Os atos do dia 22 serão um aquecimento para a construção da greve geral”, afirma Adilson Araújo

Os protestos dos trabalhadores em defesa dos direitos e contra o retrocesso simbolizado pelo governo de Michel Temer se intensificam neste mês setembro. As centrais sindicais anunciaram ato nacional para o dia 22. Os bancários completam sete dias de greve e podem ter a companhia ainda neste mês dos trabalhadores das empresas de correios e dos petroleiros. No dia 29 de setembro, metalúrgicos de todo o país farão paralisação nacional.

Para o presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, a iniciativa das centrais se soma à ação de diversas categorias pelo Brasil. “Os atos do dia 22 serão um aquecimento para a construção da greve geral”, confirmou.

O dirigente lembrou que até 2014 os trabalhadores usufruíram das políticas públicas de inclusão dos governos de Lula e Dilma. “Depois veio a crise política, que nós sabemos que trazia por trás a agenda neoliberal. Mas até aquele ano, o trabalhador tinha a reposição da inflação e aumento real de salário”, ressaltou Adilson.

Na opinião dele, a consolidação da retirada de direitos de forma acelerada aliada ao crescimento dos protestos começa a criar as condições para que o trabalhador se envolva nas manifestações. Entre as propostas mais rejeitadas pelos trabalhadores estão a instabilidade que a reforma trabalhista de Michel Temer vai impor a direitos como 13º, férias e jornada de trabalho, por exemplo. O aumento da idade mínima para a aposentadoria também é alvo dos protestos. “Com essa eclosão de coisas acontecendo o trabalhador vai começar a ter a consciência de que trabalhou a vida inteira e não vai ter direito à aposentadoria, assim como não vai ter assegurados os direitos previstos na constituição, por exemplo”, observou o presidente da CTB.

A Proposta de Emenda Constitucional (PEC 241) está pronta para ser votada. A iniciativa congela as despesas de Educação e Seguridade Social por 20 anos, provocando a redução do financiamento das políticas públicas.

O Pré-Sal e o PL 4567/16

Segundo o dirigente da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e secretário de Relações Internacionais da CTB, Divanilton Pereira, a greve entre os petroleiros pode se tornar uma realidade nacional até o final do mês. Até o dia 24 de setembro serão concluídos os seminários setoriais sobre a greve. Logo após será realizado um seminário nacional para definir a posição dos petroleiros.

Nesta semana, está prevista a votação do Projeto de Lei 4567/16, que extingue a atuação obrigatória da Petrobras na exploração do Pré-Sal. O projeto é de autoria do atual ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP). Também nestes dias, a Petrobras deve responder à pauta reivindicatória dos petroleiros que tem data-base em setembro. “A intensificação da luta dos petroleiros também está inserida dentro do quadro de mobilizações nacionais, na luta pelos direitos dos trabalhadores e também em defesa da democracia”, explicou Divanilton.

Segundo ele, a linha deste governo é conhecida dos petroleiros. O dirigente ressaltou o papel do Programa de Demissão Voluntária entre os trabalhadores dos campos terrestres. Na opinião de Divanilton, o que é colocado como saída pela empresa pode ser um desastre para o trabalhador. “Para denunciar essa desestruturação foi realizada a greve em agosto. Ano passado 400 trabalhadores do RN aderiram ao PDV, neste ano são mais 400”, disse. A greve de cinco dias atingiu 10 estados. 

Correios e Bancários voltam a negociar

A greve dos bancários, que ebntra em seu 7º dia, segue forte em todo o Brasil . Nesta terça-feira (13), haverá nova rodada de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) que segue oferecendo reajuste abaixo da inflação. Para Emanoel Souza, presidente da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (Feeb), a proposta dos banqueiros significa um ataque aos direitos dos trabalhadores e também à política de reajuste que foi assegurada nos últimos 12 anos. 

Já os trabalhadores dos correios, que estão em estado de greve, podem paralisar as atividades a partir desta quinta-feira (15). Elias Cesário, o Diviza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos de São Paulo (Sintect-SP), afirma que a proposta abaixo da inflação oferecida pela direção dos Correios impõe um retrocesso histórico nos direitos dos trabalhadores da empresa. Na opinião do dirigente, os Correios querem precarizar as condições de trabalho e jogar a conta da crise nas costas dos trabalhadores.

Nesta quarta-feira (14) acontece nova assembleia para que os trabalhadores avaliem a proposta da empresa.

Portal CTB com Vermelho

 

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