O Clã Bolsonaro volta a ameaçar com um novo golpe de Estado

Os fatos políticos desta quinta-feira (28) traduzem uma elevação da temperatura da crise política e institucional que se desenvolve no país em meio à pandemia do coronavírus e uma recessão que tende a ser a maior da história. A reação do presidente Jair Bolsonaro às ações ordenadas pelo ministro do STF, Alexandre Moares, é mais uma séria ameaça à democracia.

Numa referência à operação da Polícia Federal que cumpriu mandados de busca e apreensão decorrentes do inquérito comandado por Moraes na quarta (27) contra pessoas aliadas a ele e acusadas de envolvimento na produção e distribuição e fake news, Bolsonaro disse: “não haverá outro dia como ontem” e “acabou, porra”.

Guerra contra o STF

O líder da extrema direita também defendeu seu ministro da Educação, Abraham Weintraub, e voltou suas baterias contra o decano do STF, Celso de Mello, acusando-o de crime de responsabilidade por ter liberado a divulgação do vídeo que registrou para a história a sombria e reveladora reunião presidencial do dia 22 de abril de 2020, censurando os vitupérios contra a China.

Bolsonaro não esconde o desgosto com a decisão do ministro, que entendeu que o povo brasileiro tem o direito de conhecer a verdade sobre o caráter e o comportamento das autoridades.

“Ele (Celso de Mello) é o responsável. Peço pelo amor de Deus que não prossiga esse tipo de inquérito a não ser que seja pela lei do abuso de autoridade, que está bem claro de quem divulga vídeos, imagens, ou áudios do que não interessa ao inquérito. Está lá, um a quatro anos de detenção. O criminoso não é o Weintraub, não é o Salles, não é de nenhum de nós. A responsabilidade de tornar público aquilo é de quem suspendeu o sigilo de uma sessão cujo vídeo foi chancelado como secreto”, afirmou Bolsonaro.

Bravatas golpistas

Por seu turno, o filho aloprado Eduardo Bolsonaro, autor da máxima segundo a qual basta um cabo e um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal, voltou à carga com bravatas golpistas durante live no canal Terça Livre, do blogueiro Allan dos Santos, um dos investigados no inquérito sobre Fake News.

Ao lado deles estavam a deputada federal Bia Kices, também investigada no caso e o guru do governo, o filósofo de orifícios Olavo de Carvalho (que defendeu pena de morte para Alexandre Moraes) e o médico bolsonarista Italo Marsili. Eduardo insinuou que o golpe é questão de tempo e criticou os que dentro do governo, especialmente entre os militares, comportam-se de forma moderada.

 “Até entendo quem tem uma postura moderada para não chegar num momento de ruptura, de cisão ainda maior, de conflito ainda maior. Eu entendo essas pessoas que querem evitar esse momento de caos, mas falando abertamente, opinião de Eduardo Bolsonaro, não é mais uma opinião de se, mas de quando isso vai ocorrer”. esbravejou.

Defesa da democracia

No STF parece prevalecer a unidade em defesa da instituição, que foi e é um dos alvos prioritários da indústria de Fake News montada pelo Clã Bolsonaro. Hoje não parece factível que apelos desesperados pelo encerramento imediato do inquérito sejam atendidos. O confronto está desenhado, apesar da aposta dos presidentes da Câmara e do Senado na conciliação.

“Se o Inquérito sobre fake news fosse suspenso, o Supremo perderia a sua independência, diante de crimes diversos cometidos contra os seus integrantes, e hoje reiterados de modo vil. O Regimento Interno do Supremo e demais normas processuais autorizam diligências investigatórias”, sublinhou o governador do Maranhão, Flavio Dino.

Já o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta (28) a união e reação de todos as pessoas que defendem a democracia e, numa alusão às declarações do chefe do Palácio do Planalto, alertou pelo Twitter: “Um aviso aos democratas do Brasil: os golpistas já colocaram o pé na nossa varanda. Se não houver reação, eles arrombarão a nossa porta”.

Umberto Martins

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