Nos EUA, Lula diz que Dilma precisa ouvir mais os sindicatos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu uma declaração neste domingo (3), durante viagem aos Estados Unidos, que vem ao encontro de uma crítica recorrente do movimento sindical brasileiro: sua sucessora, a presidenta Dilma Rousseff, precisa ouvir mais o movimento sindical.

“O presidente Obama têm de ouvir vocês, a Dilma tem de ouvir os sindicatos […] O movimento sindical precisa dizer, outra vez, o que ele deseja, para que a gente, que é governante, cumpra o que combinamos”, disse Lula, durante a conferência anual da UAW, a maior central sindical do setor automotivo nos EUA.

Em seu discurso, Lula ressaltou a importância de os trabalhadores se organizarem politicamente. Na era da globalização, precisamos globalizar os direitos dos trabalhadores” e reforçou que a união de trabalhadores não deve ser só por salário, mas também por direitos. “Os trabalhadores precisam defender a si mesmo, não [delegar a] políticos que nunca estiveram num chão de fábrica. Ninguém mais vai defender os trabalhadores, e vocês sabem disso”.

Mobilização

Diante do pouco diálogo que vem sendo mantido com a presidenta Dilma nos dois primeiros anos de seu mandato, as centrais sindicais pretendem iniciar 2013 com uma agenda mais propositiva, de modo a deixar claro para o governo federal que a classe trabalhadora tem condições de ser protagonista das mudanças que o país necessita para se desenvolver.

Dessa forma, já está marcada para o dia 6 de março a Marcha das Centrais e dos Movimentos Sociais, em Brasília, com o propósito de apresentar uma pauta de reivindicações ao governo, baseada na Agenda da Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), ocorrida em 2010. Nessa data, os sindicalistas esperam ser recebidos por Dilma e iniciar uma nova fase, marcada por um diálogo mais constante com a presidenta.

“A declaração de Lula vem em boa hora. Demos nosso apoio à eleição de Dilma e sempre estaremos ao lado dela quando for necessário defender os interesses do povo e da classe trabalhadora, mas também precisamos cobrá-la quando necessário”, afirmou o presidente da CTB, Wagner Gomes.

Para conhecer a pauta de reivindicações da Marcha de 6 de março, clique aqui.

Com informações de agências

Compartilhar: