No covil do morcego: nesta quinta (8), o povo foi gritar Fora Temer na porta da casa dele

A noite desta quinta-feira (8) viu mais um escracho contra o presidente golpista Michel Temer em São Paulo, mas a ocasião foi especial: ao contrário das rotas comumente utilizadas, pelo centro da cidade, a coordenação da passeata resolveu levar o povo para a frente da mansão de Temer, no Alto do Pinheiros. Como em ocasiões anteriores, quem puxou o ato foi a dupla das Frente Povo Sem Medo e Brasil Popular, acompanhadas por CTB, CUT, Intersindical, CMP, MST, MTST, UNE e UBES, além de líderes políticos de partidos progressistas e outros movimentos sociais.

A concentração, feita no Largo da Batata, começou com um prenúncio ruim: em todas as saídas do metrô, policiais militares estavam a postos, selecionando cidadãos “suspeitos” para revistas e interrogatórios. Do lado de fora, um destacamento de seis tanques do Choque não melhorava a sensação. A tentativa de intimidação não surtiu efeito, no entanto, e o Largo foi lentamente se enchendo de manifestantes. Por volta das 19h, quando os líderes declararam o início do evento, estavam presentes 15 mil pessoas.

O protesto começou com a leitura de uma carta do MTST endereçada ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), em que foram denunciados os excessos da PM ao longo da última semana. Dizia:

“A ação desproporcional e truculenta da PM é inadmissível em um Estado de direito. É um padrão que se repete no dia a dia contra o povo pobre das periferias. O uso da violência atinge o coração do regime democrático. A preservação da ordem não pode justificar o uso da violência desproporcional, o excesso e o arbítrio. Se se quer preservar o direito democrático, essas coisas não podem prevalecer.”

Em seguida, falaram lideranças de diversas entidades, como o vereador Jamil Murad, que também é presidente do PCdoB municipal de São Paulo. “As oligarquias e a elite se surpreenderam com a reação do nosso povo. Nosso povo está mais mobilizado, mais consciente, e nossa juventude está mais disposta à luta, e não vai aceitar regime discricionário”, analisou, de cima do caminhão de som (vídeo abaixo). “Nós vamos derrotar esses golpistas na luta, na rua, fazendo o povo escolher o presidente do Brasil. Nós não aceitamos presidente biônico, tem que ter Diretas Já! Nós não aceitaremos, de maneira nenhuma, essas maldades programadas pelo governo Temer!”, exclamou mais adiante.

Dado início à caminhada, os manifestantes logo se viram cercados de policiamento pesado, e avançaram prensados em apenas um lado da Av. Brigadeiro Faria Lima. Em instantes, alguns camburões da PM partiram em direção à casa de Temer.

A toca da fera

O manifestante que se engaja nessas manifestações anti-Temer de meio de semana tem um perfil jovem, politizado e, não raro, periférico. Ele não se intimida com ameaças de repressão – algo que levou a momentos tensos ao longo da caminhada, quando a PM tentou impedir o avanço dos 15 mil. Em resposta, o povo mudou a rota e prosseguiu, entoando palavras contra o golpista e pelo fim da PM.

A passeata encontrou uma barreira de ferro erguida pela PM, finalmente, ao chegar na rua Capepuxis, impedindo o acesso à praça que defronta a mansão Temer. Em torno do covil, dezenas de oficiais do Choque apontavam suas armas para os manifestantes, que resolveram fazer o ato principal ali mesmo.

“Não importa onde esteja, o Temer receberá um brado retumbante. Seja no café da manhã, o primeiro ato é celebrar o Fora Temer! No almoço, o Fora Temer! No jantar, o Fora Temer! Antes de dormir, FORA TEMER!!!”, provocou o presidente da CTB, Adilson Araújo, acompanhado da multidão (vídeo abaixo).

Ele fez uma análise das intenções do presidente: “Vai ficando cada vez mais claro que esse cerco que se impõe sobre nosso continente tem o objetivo de reeditar a agenda neoliberal derrotada dos tempos de FHC. Eles querem por em prática uma agenda ultraliberal. É por isso que nós temos o dever moral de resistir a todo custo! Essa ideia de congelar os investimentos na saúde, na educação, os investimentos públicos vai colocar o Brasil no séc. XVII. Nós não podemos aceitar o retorno do tempo da escravidão!”. Ao final, elogiou também o aspecto pluripartidário das manifestações.

Também presente, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) fez uma avaliação complementar: “Nós precisamos retirar esse governo para que ele não possa flexibilizar mais leis trabalhistas. Nós não podemos permitir que se coloque o negociado acima do legislado. Nós temos que evitar a entrega total do patrimônio público, como a questão do pré-sal. Temos que evitar o achatamento dos gastos públicos, prejudicando a saúde pública, a educação pública e assim por diante”.

Uma solução para o impasse

Concluindo o ato, o ex-senador Eduardo Suplicy subiu ao carro de som para fazer uma proposta ao presidente golpista. “Se for a vontade dele efetivamente pacificar o país, ele tem um caminho. Junto com o Congresso Nacional, ele deve convocar uma consulta popular no próximo dia 2 de outubro [aproveitando as eleições municipais], sobre o interesse das pessoas em que ele siga na presidência do país”, disse. A resposta dos manifestantes foi entusiasmada. Pela lógica, caso o resultado dessa consulta fosse negativo, o governo teria então um mês para organizar novas eleições presidenciais, para que iniciasse 2017 já com um novo mandatário.

A boa notícia, no final do dia, foi não haver confronto com as forças policiais. Caminhando pela mesma via pela qual chegaram, os lutadores e lutadoras já se compremeteram a comparecer à nova manifestação no domingo (11). A CTB estará lá.

Por Renato Bazan – Portal CTB

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