Na abertura do Brasileirão, jogadores entram em campo com tarja preta contra a reforma trabalhista

Rodriguinho, do Corinthians, parece pedir aos céus que barrem a reforma trabalhista (Foto: Alex Silva/Estadão)

Atletas do Corinthians, Flamengo, Atlético Mineiro e Internacional de Porto Alegre realizaram um protesto inusitado na abertura do Campeonato Brasileiro de Futebol (Brasileirão) 2017. Contra a reforma trabalhista proposta pelo governo de Michel Temer, eles usaram tarja preta.

“A reforma trabalhista quer parcelar as férias, o descanso semanal, entre muitos outros direitos”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais, Esporte e Lazer da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

“Muito bom ver que os jogadores dos clubes da elite do futebol entram nessa luta para barrar esse projeto, que acaba com a Consolidação das Leis do Trabalho e retrocede para décadas passadas”, complementa.

Orientados pela Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fepaf), os jogadores criticam a retirada de inúmeros direitos da classe trabalhadora. Mencionam a possibilidade de os patrões parcelarem suas férias e até o descanso semanal remunerado, dividindo em 12h cada descanso.

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D’Alessandro, do Internacional, comemora seu gol na vitória contra o Londrina, pela série B (Foto: Ricardo Duarte)

“Modificação na estrutura do direito de arena, parcelamento de férias, repouso semanal remunerado em 2 períodos de 12 horas, fim do recesso coletivo do calendário e insegurança contratual estão nas propostas de mudança que tramitam no Congresso Nacional e causam revolta na categoria”, afirma comunicado da Fepaf.

Segundo a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no ano passado atuavam no Brasil 28.203 jogadores profissionais de futebol. Sendo que somente 1.106 ganham acima de R$ 5 mil por mês e 82% recebiam menos do que R$ 1 mil, pouco mais que um salário mínimo.

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Atletas do Flamengo e Atlético Mineiro com a tarja preta do protesto (Foto: Pedro Martins/MoWa Press)

“A reforma trabalhista liquida com direitos fundamentais da classe trabalhadora, prejudicando o decanso de que necessitamos para repor as energias. Certamente, essas propostas aumentarão os adoecimentos (leia mais aqui) e o tempo disponível para a família, o lazer, a cultura e para a prática esportiva”, acentua Nunes. 

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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