Metalúrgicos de Minas ocupam BR 381 em protesto contra proposta patronal

Lideranças do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, Igarapé e São Joaquim de Bicas, filiado à CTB, ao lado de outros sindicatos da categoria em todo o Estado, participaram, no último dia 08, de uma caminhada pela BR 381, que liga Minas Gerais a São Paulo, para protestar contra a proposta apresentada pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), como parte da Campanha Salarial Unificada deste ano.

{youtube}P7_RGCw2elw{/youtube}

Durante o protesto, que começou por volta das 5 horas da manhã, os manifestantes caminharam por aproximadamente 4 quilômetros – interrompendo o trânsito em todas as faixas da rodovia – até a frente da Fiat Automóveis, empresa carro-chefe da indústria automobilística de Minas, que teve o início de sua produção e também de suas principais fornecedoras de peças atrasado em mais de uma hora.

Na caminhada, líderes sindicais se revezaram nos discursos em cima de um carro de som, com críticas à postura de intransigência da Fiemg, cuja proposta apresentada durante as negociações prevê reajuste de 4,3% – percentual que seria dividido em duas vezes (uma parte em outubro e o restante apenas em janeiro de 2010) – piso de ingresso de R$ 512,80, sem oferta de aumento real e abono.

Com data-base em 1º de outubro, os cerca de 40 mil metalúrgicos mineiros reivindicam, nesta Campanha Salarial, aumento real de 10% nos salários, abono de um salário nominal, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e melhoria nas cláusulas sociais da convenção coletiva de trabalho da categoria.

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e Região, Marcelino da Rocha, a manifestação foi uma forma da categoria pressionar o setor patronal a modificar sua proposta, “que está aquém dos reajustes alcançados por metalúrgicos de outras regiões do país”, que conquistaram  aumentos reais nos salários, melhorias em cláusulas sociais e abonos que variaram de R$ 1.5 mil a R$ 2 mil.

“As manifestações vão continuar, não apenas nas portarias das fábricas, como também, se necessário, novamente ao longo da rodovia, para que possamos alcançar nossas reivindicações, principalmente o aumento real de salários”, avisa.

Embora realizado de maneira pacífica, o protesto, que foi acompanhado pelas polícias Militar e Rodoviária Federal, registrou um breve princípio de tumulto, quando um dos seguranças armados – popularmente denominados “bate-paus” – contratados pela Fiat Automóveis, agrediu com chutes a diretora do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim Jussara Albuquerque, que trabalha na Jabil, em Betim, o que ocasionou o registro de um boletim de ocorrência junto à PM.

A “milícia armada” contratada pela montadora, aliás, foi alvo de muitas críticas por parte dos líderes sindicais e demais manifestantes presentes ao protesto. “O fato negativo da manifestação foi a presença de pessoas da segurança patrimonial da Fiat Automóveis ao longo da BR, para tentar intimidar e agredir os manifestantes, quando, na verdade, elas deveriam se ater aos limites da fábrica”,  ressaltou o dirigente sindical.

De Betim,
Eduardo Durães

Compartilhar:

Conteúdo Relacionado