Medo dos caminhoneiros faz governo revogar aumento do óleo diesel

Na última quinta-feira, 11, a direção da Petrobras anunciou um aumento de 5,74% do preço do óleo diesel nas refinarias, o que levantou um murmurinho nervoso entre os caminhoneiros e parece ter despertado o fantasma de uma nova greve da categoria, que em maio do ano paralisou a economia nacional e esquentou o inferno astral do golpista Michel Temer.

Foi o suficiente para acionar o sinal de alarme no Palácio do Planalto, comandado hoje por um político medíocre, oriundo do baixo clero e com a popularidade em baixa. Jair Bolsonaro deu uma contraordem e a estatal voltou atrás no mesmo dia, informando em comunicado que “em consonância com sua estratégia para os reajustes dos preços do diesel divulgada em 25/3/2019, revisitou sua posição de hedge e avaliou ao longo do dia, com o fechamento do mercado, que há margem para espaçar mais alguns dias o reajuste no diesel”.

A desculpa esfarrapada não agradou o mercado e a intervenção do presidente foi apontada como causa da queda de 8,54% no valor das ações ordinárias e 7,75% nas ações preferenciais da empresa negociadas no Ibovespa nesta sexta-feira, 12, o que significa perdas de R$ 32,5 bilhões. Bolsonaro não escondeu que está preocupado com os caminhoneiros, que em maio do ano passado paralisaram o país num protesto contra a alta do diesel.

A política de preços da Petrobras é uma expressão do fundamentalismo neoliberal que passou a orientar a política econômica brasileira desde o golpe e agora ainda mais sob Bolsonaro, cujo ministro da Economia, Paulo Guedes, é um autêntico e fiel representante do sistema financeiro no governo.

A intervenção do presidente contradiz tal política, mas foi feita com o objetivo de acalmar o ânimo dos caminhoneiros e impedir uma nova jornada de protesto que pode ser mais fatal para o governo do que o desconforto gerado no meio empresarial. Soa meio bizarro o fato de Bolsonaro tentar negar o fato afirmando que não interviu na Petrobras e que nada entende de economia, que entregou às mãos do ultraliberal Paulo Guedes.

 

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