Manifesto pela reestatização da Embraer é lançado

Com apoio da CTB e da CSP-Conluntas, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José do Campos lança, dia 27, uma ampla campanha pela reestatização da Embraer. Este manifesto é parte das iniciativas para levar a discussão a toda a sociedade e expor as razões pelas quais é preciso devolver a Embraer aos brasileiros. Apoie esta campanha e ajude a divulgar este manifesto. A adesão de entidades sindicais, partidos, acadêmicos e personalidades políticas é bem-vinda e indispensável para que a campanha alcance todo o país.   

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Manifesto: Uma Embraer para os brasileiros. Reestatização, já

A Embraer tem um indiscutível valor para o Brasil. Fruto do árduo trabalho desenvolvido por nosso povo, é a nossa maior empresa no segmento de alta tecnologia. Terceira maior exportadora do país, está entre as maiores companhias de aviação do mundo e emprega 16 mil pessoas. Em suas asas, carrega o orgulho de ser uma realização do esforço e competência brasileiros.

Nos últimos dois anos, a direção da Embraer se aventurou irresponsavelmente em uma transação comercial com a Boeing – que acabou rompendo o negócio, em abril deste ano. Se a venda fosse concretizada, beneficiaria sobretudo a companhia norte-americana e os seus insaciáveis acionistas, em detrimento aos interesses estratégicos da nação brasileira e o seu anseio de tornar-se plenamente soberana.

A venda para a gigante norte-americana foi cancelada, mas o risco para a sobrevivência da Embraer continuará existindo enquanto permanecer como uma empresa privada, submetida única e exclusivamente à lógica do lucro e – ressalte-se – extremamente dependente de recursos públicos. Não basta o governo brasileiro ter uma pequena participação acionária ou mesmo poder de veto. É preciso que a Embraer volte a ser 100% pública, dirigida segundo os interesses genuinamente brasileiros e sob o controle dos trabalhadores.

Em suas turbinas, está o acúmulo de cinco décadas de pesados investimentos, que permitiu ao Brasil figurar entre o seleto grupo de nações que têm a capacidade de desenvolver aeronaves. Justamente por seu alto desempenho, a empresa chama a atenção de outros países e empresas do setor.

A Embraer não precisa ser vendida, como nos queriam fazer acreditar os defensores da transação com a Boeing. A empresa terminou o ano de 2019 com R$ 11,209 bilhões em caixa e sua dívida está sob controle. Nasceu como estatal, foi sucateada pelo governo de Fernando Collor e privatizada pelo governo de Itamar Franco.

Reestatizá-la, neste sentido, garantiria a sua sobrevivência, a manutenção de postos de trabalho e sua entrada em novos segmentos, como o desenvolvimento de um carro elétrico brasileiro. Da mesma forma, possibilitaria o incremento do nosso parque aeronáutico.  

Há ainda outro aspecto, também de grande relevância, a ser considerado: cada projeto desenvolvido e colocado em prática foi resultado do esforço de nossos trabalhadores, que precisam da certeza de que seus empregos estão garantidos. Por isso, defendemos a adoção de estabilidade para todos.

O cenário que se vê hoje, entretanto, é exatamente o oposto. Demissões acontecem todos os dias na Embraer e no parque industrial aeronáutico. Durante o período de negociações com a Boeing, os cortes não pararam. Tudo para que fosse entregue uma empresa “enxuta” e com menor custo trabalhista para a norte-americana. Nesse grave período de pandemia, a sangria tem se intensificado.

Com o episódio da quase-venda, pudemos perceber quão urgente é a tarefa de defender uma Embraer novamente estatal. Não podemos esperar por outras investidas estrangeiras. Devolvê-la ao Brasil é impreterível. Defender sua reestatização, agora, é dever dos brasileiros que sonham e lutam por um país soberano e consciente de sua pujança.

Brasil, maio de 2020.


Assinaturas:

Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região

CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

CSP-Conlutas

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