Manifestações tiveram apoio de 110 mil pessoas em 23 estados do país

O conjunto de manifestações organizadas nesta quarta-feira (15), Dia Nacional de Paralisação e Lutas, pela CTB e pela CUT, mobilizou pelo menos 110 mil pessoas – é o que soma as muitas passeatas organizadas em 23 estados. O número não leva em conta as paralisações que ocorreram em todo o país, que levaram dezenas de milhares de trabalhadores dos mais diversos setores a cruzarem os braços em solidariedade aos protestos.

A cidade de São Paulo concentrou cerca de 40 mil manifestantes, divididos entre a Av. Paulista e o Largo da Batata. Em comum, todos pediram pela reprovação ou pelo veto presidencial do Projeto de Lei 4.330/04, que regulariza as terceirizações em atividades-fim e destrói a CLT. O evento das centrais foi reforçado por duas outras manifestações, combinadas para o mesmo dia: uma concentração da Central de Movimentos Populares (CMP) cobrava “mais direitos, contra a direita” no vão do MASP; dezenas de movimentos sociais liderados pelo Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MTST), por outro lado, marcharam contra os cortes orçamentários nos programas de habitação, educação e proteção ao trabalhador.

O prédio da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) foi o local onde todos esses grupos se encontraram na última parte do evento, já que ali se concentram os principais articuladores empresariais do Congresso. Por toda a tarde, líderes sindicais se alternaram sobre um carro de som para denunciar a traição representada pelo PL 4.330/04, e para tal promoveram até a “malhação de Judas”: uma queima dos bonecos representando Eduardo Cunha (presidente da Câmara dos Deputados), Paulo Skaf (presidente da FIESP) e o deputado Paulo Pereira – o Paulinho da Força Sindical.

Em seu discurso, o presidente da CTB, Adilson Araújo, falou sobre o agravamento da luta social depois das eleições: “Não foi à toa que, enquanto a gente levava porrada na frente do Congresso na última quarta-feira (8), enquanto éramos postos para fora da nossa Casa, dentro da Câmara estavam o Skaf e toda a direção da Fenaban, fazendo lobby para que fosse aprovado o PL 4.330. Esse Congresso que está aí foi todo financiado pelo dinheiro das grandes empresas, e agora elas estão indo cobrar a conta na forma da retirada de direitos! A gente não pode ter medo de fazer esse debate, de defender o pouco de dignidade que a gente conquistou e que agora eles querem tirar”. Aproveitou também para congratular o sindicato dos professores públicos de São Paulo, a APEOESP, pela mobilização que realizava naquele momento na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, onde entraram em audiência com os parlamentares para negociar o fim da greve da categoria. Esses professores mais tarde se juntaram à concentração na FIESP.

Horas depois, Adilson falou novamente ao público, desta vez no Largo da Batata. Diante de dezenas de movimentos sociais e sindicais com ideias dissidentes, o sindicalista fez um apelo à unidade: “Esta ficando cada vez mais claro que somente ao se unir a esquerda conseguirá enfrentar as forças conservadoras, pois é uma batalha mais acirrada do que no passado”. Como últimas palavras, propôs aos líderes presentes a organização de uma grande plenária para engrenar um “grande 1º de Maio [Dia Mundial do Trabalhador], que mostre para os empresários e para os conservadores que vamos enfrentar o que for preciso”.

Por Renato Bazan – Portal CTB

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