Com mais de 50 condutores de São Paulo mortos pela covid-19, Justiça determina que 100% da frota de ônibus volte a operar na cidade

Acatando pedido encaminhado pelo Sindicato dos Motorista, o desembargador Fernão Borba Franco, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou nesta quinta-feira (16) a circulação de 100% da frota de ônibus na capital paulista e deu prazo de 48 horas para a Secretaria Municipal de Transportes cumprir a decisão sob pena de multa diária de R$ 50 mil.

Constrangidos a trabalhar em função da essencialidade atribuída aos transportes, motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo são expostos a condições pouco saudáveis, com destaque para a superlotação dos veículos, e estão pagando um preço alto em vidas e saúde.

Infelizmente o coronavírus continua fazendo vítimas diariamente na categoria. Levantamento recente da Secretaria de Saúde do Sindmotoristas de São Paulo, divulgado terça-feira (13) aponta que o número de vítimas da doença não para de crescer. Ao todo são 747 casos suspeitos, 208 confirmados e 52 mortes, sendo nove confirmadas e outras 43 aguardando o resultado final dos exames.

Mesmo com a adoção de algumas medidas protetivas, a situação dos trabalhadores em transportes é alarmante. Em razão da profissão, os condutores estão mais expostos ao contágio do vírus. Também, há outro agravante a se considerar: o distanciamento social não é respeitado dentro dos coletivos, que têm circulado diariamente abarrotados de pessoas.

“A nossa categoria tem enfrentado dias de dor e tristeza. Nesses quase cinco meses de pandemia, perdemos ao menos 52 amigos e famílias seus entes queridos para este vírus maldito. Mas, não podemos parar. O sindicato segue unido com os trabalhadores e com a população. Eu acredito que juntos vamos vencer a Covid-19”, afirmou o presidente em exercício da entidade, Valmir Santana da Paz (Sorriso).

Essa semana, o Governo de São Paulo disse que o estado está entrando em uma fase de platô da pandemia, o que indica um pico contínuo. A informação não diminuiu a gravidade da crise de saúde pública, os números de ocorrências continuam altos e preocupantes.

LUTA CONTÍNUA!

Desde março, o Sindmotoristas tem liderado uma luta para garantir minimamente segurança e proteção para os trabalhadores. Ganhou ação na justiça, que obriga todas as empresas de ônibus do sistema a fornecerem regularmente máscara e álcool em gel para seus funcionários.

O sindicato protocolou junto ao Poder Público ofício solicitando a instalação de divisórias de acrílicos próximas aos assentos do motorista e do cobrador. E tem travado publicamente uma queda de braço com a Prefeitura e com os empresários de ônibus pelo retorno de 100% da frota de ônibus às ruas, luta que resultou na justa decisão do desembargador Fernão Borba Franco, pautada pela defesa da vida em contraposição aos argumentos e preocupações fiscalistas do prefeito tucano, que não parece, nem de longe, preocupado com a vida de trabalhadores e passageiros.

Fonte: Sindmotoristas

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