Lideranças propõem comissão em Brasília contra demissões nas montadoras

Na tarde desta sexta-feira (24), os trabalhadores da General Motors em São Caetano do Sul saíram em passeata para exigir a reintegração dos 550 demitidos, entre eles 20 funcionários que possuem estabilidade. Saindo do acampamento que ocupam há cerca de duas semanas, pelo menos 200 pessoas caminharam em direção à Câmara Municipal do município, onde foi feito um ato de protesto.

Lideranças de centrais sindicais, partidos políticos e movimentos sociais compareceram ao ato em solidariedade aos trabalhadores demitidos. Entre os presentes estavam o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), o presidente da CTB-SP, Onofre Gonçalves, e Marcelo Toledo, secretario de Formação da FIT-Metal.

“A GM esta fazendo isso tudo com o objetivo de aumentar seus lucros. Não há motivo algum para demitir seus trabalhadores – mesmo depois do lançamento do Programa de Proteção ao Emprego, ela demitiu seus trabalhadores, então fica claro que o que ela quer é reajustar os seus monstruosos lucros, dispensando seus traabalhadores como faria com o bagaço de uma laranja”, denunciou Gonçaves. “Se o país esta com dificuldades, se ela esta com dificuldades, ela que chame os trabalhadores para conversar. O dinheiro que foi dado à GM não é brincadeira, nós sabemos o quanto eles ganharam, isso é público. Nós não vamos sair da rua, precisamos ampliar esse movimento, a CTB esta disposta a isso e vamos garantir que eles sejam reintegrados”, continuou.

O deputado Orlando Silva também denunciou o oportunismo da montadora: “Não demorou um dia para que a GM demitisse seus trabalhadores depois que o governo anunciou o Programa de Proteção ao Emprego. Mas quando o governo anunciou os subsídios para as montadoras, em anos anteriores, tudo o que eles fizeram foi embolsar esse dinheiro e mandar remessas ao exterior”. Em seguida, propôs uma solução: “Precisamos fazer uma comissão com quem sente na pele o preço dessas demissões e ir para Brasília para revertermos essa situação”.

Toledo, FIT-Metal, concordou, e acrescentou: “As montadoras ganharam dinheiro aos burros às custas desses trabalhadores, mas basta surgir uma crise, por menor que ela seja, e somos nós que pagamos a conta. Nós não queremos muito. Queremos apenas um pedacinho desse dinheiro, para que possamos manter nossos empregos, nossas famílias, nossos sonhos”.

A GM aumentou o lucro em 302% no segundo trimestre deste ano, de acordo com o relatório financeiro publicado na última quinta-feira (23). Ela informou que teve lucro líquido de US$ 1,117 milhão no período, quase 302% mais que no mesmo espaço de tempo em 2014, graças à recuperação dos mercados americano e chinês. A montadora chegou a ultrapassar a Ford no ano passado, em termos de faturamento.

Luta histórica

A mobilização em frente à GM dura 13 dias, mas já é histórica – é a primeira vez que um movimento de trabalhadores acampa na frente da fábrica. Cerca de 150 profissionais se revezam em 20 barracas e não têm planos de levantar acampamento até que a empresa sinalize com a abertura de negociações. O último registro que se tem data de 1985, quando funcionários acamparam dentro das dependências da empresa em protesto salarial.

Na última terça-feira (21), o grupo protocolou uma carta com pedido de reintegração dos demitidos à GM, mas a montadora disse apenas que “estabeleceu que parte da produção do complexo industrial de São Caetano seria interrompida”, em acordo com o sindicato da categoria. A inação do sindicato deu margem à revolta dos demitidos, levando muitos dos acampados a gritar “Cadê o homem do emprego?!” ao longo da passeata, em referência a Aparecido Inácio da Silva, o “Cidão”, vereador de São Caetano e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade.

Por Renato Bazan – Portal CTB

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