José Serra é a cara de Michel Temer

 “O Brasil não poderia estar pior representado em sua diplomacia, do que com José Serra (ministro interino das Relações Exteriores)”, afirma Ivânia Pereira, secretária da Mulher Trabalhadora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Ela refere-se à gafe cometida pelo chanceler brasileiro em sua ação diplomática no México, na segunda-feira (25). Quando, ao ver o elevado número de mulheres com assento no Parlamento mexicano, disse que esse fato representa um “perigo” para o Brasil.

De acordo com o ministério, a missão oficial de Serra era a de uma agenda bilateral, “incluindo as negociações para aprofundamento do acordo bilateral de preferências comerciais”. Mas o vexame começou no discurso do ministro interino.

Ele fez uma “brincadeira” com a chanceler mexicana, Claudia Ruiz Massieu, dizendo que gostaria de convidá-la a vir ao Brasil, mas seria perigoso porque o assunto sobre mais mulheres na política viria à tona. 

“Devo dizer, cara ministra, que o México, para os políticos homens no Brasil, é um perigo porque descobri que aqui quase metade dos senadores é de mulheres”, declarou Serra.

“Perigo para o nosso país é esse governo, machista, racista, misógino e homofóbico”, ataca Pereira. “O discurso dele é a cara desse governo golpista e deixa o Brasil em uma situação vexatória perante o mundo. Mas estamos dando a nossa resposta nas ruas contra esse golpe torpe”.

 

serra quanta mulher

Vários órgãos da imprensa internacional repercutiram o fato. O título da reportagem do diário argentino “Infobae”, diz tudo: “A infeliz piada machista do chanceler do Brasil”. Já o espanhol “El País” a manchete foi: “Serra descobre a igualdade de gênero no México”.

Mulheres na política mexicana

De acordo com a reportagem do “El País”, o Congresso mexicano aprovou uma lei em 2014, obrigando os partidos a terem 50% de mulheres candidatas. Isso impulsionou a participação feminina na política.

No México, diz o diário espanhol, a Câmara dos Deputados conta com 46% de mulheres e no Senado – a presença feminina é de 36%. Bem diferente do Brasil que conta com 51 deputadas em 513 e 12 senadoras em 81, o que dá 10,6% de mulheres no Congresso Nacional.

Para a sindicalista sergipana, a atitude de José Serra não representa o país. “Com esse discurso vexatório, ele deixa de representar o ideário da sociedade brasileira e mostra a verdadeira cara desse desgoverno, que pretende retirar as conquistas da classe trabalhadora e do povo brasileiro”.

Impossível comparar com a atuação do ex-ministro Celso Amorim, que elevou o patamar da diplomacia brasileira e “levou o país a um protagonismo jamais visto, sendo respeitado no mundo todo”, diz a estudante Ângela Meyer.

Inclusive, o ministro interino foi protagonista de outro vexame na confraternização de fim de ano do Senado Federal. Ao final da festa, ele chamou publicamente a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) de “namoradeira” e ela lhe atirou vinho no rosto.

“A ação de Serra à frente do Ministério das Relações Exteriores tem se mostrado um desastre para o país. É de total submissão aos países ricos, principalmente os Estados Unidos e de opressão contra os países do chamado terceiro mundo”, acentua Pereira.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com agências

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