Grupelho neofascista partidário de Bolsonaro e Guaidó invade Embaixada da Venezuela em Brasília

Cerca de 20 venezuelanos partidários de Jair Bolsonaro e do golpista Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente da Venezuela a mando dos EUA, pularam o muro e ocuparam as instalações em protesto contra o governo Nicolás Maduro. O ato criminoso foi apoiado pelo filho do presidente e líder do governo na Câmara Federal, deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o mesmo que defendeu a reinstituição do AI-5 no Brasil.

A deputada federal Érika Kakay (PT-DF) classificou os extremistas de “grupelhos neofascistas”. Referindo-se ao apoio governamental à invasão, a ex-presidenta Dilma Rousseff alertou para a gravidade do fato: “O apoio do governo Bolsonaro é grave violação de convenção internacional”, disse.

Território violentado

A embaixada da Venezuela em Brasília foi invadida, na manhã desta quarta-feira (13) por simpatizantes do autoproclamado presidente do país, Juan Guaidó, que mais tarde desocuparam a propriedade. De acordo com relatos de pessoas que presenciaram a iniciativa neofascista, 20 venezuelanos pularam o muro e ocuparam as instalações.

A Polícia Militar foi acionada, mas como se trata de um território estrangeiros, não pode retirar os manifestantes. O encarregado de negócios do país no Brasil, Freddy Meregote, enviou áudios para parlamentares e lideranças de movimentos sociais pedindo ajuda.

 “Companheiros, informo que pessoas estranhas às nossas instalações estão entrando, estão violentando o território venezuelano. Necessitamos ajuda e uma ativação imediata de todos os movimentos sociais e partidos políticos”, afirmou Meregote em sua mensagem.

Haviam rumores de que funcionários do local ajudaram a entrada dos manifestantes, mas foi desmentido por Meregote. “Todos os funcionários da embaixada reconhecem Nicolás Maduro como presidente legítimo da Venezuela. Não houve isso”, afirmou ele à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

Solidariedade

A deputada federal Érika definiu a invasão com as seguintes palavras em mensagem publicadas no twitter: “Grupelhos fascistas invadiram, nesta manhã, a embaixada da Venezuela, em Brasília. Movimentos sociais começam a chegar para prestar solidariedade. Invasores ainda estão no interior da embaixada.”

Já a ex-presidente Dilma Rousseff fez o seguinte comentário acerca do episódio nas redes sociais: “Houve violenta invasão da embaixada da Venezuela no Brasil.  O apoio do gov Bolsonaro é grave violação de convenção internacional. Coincidir c/ a reunião dos Brics permite conjecturar se além da continência à bandeira dos EUA agora serão rompidos acordos que ñ agradem aos EUA.”

O senador Telmário Mota (Pros-RR), que é membro da Comissão de Relações Exteriores do Senado, diz ter sido impedido pelo Itamaraty de entrar na embaixada da Venezuela. “Como assim? É território da Venezuela. Podem estar nos colocando numa guerra”, desabafou (veja vídeo da TV 247).

A agressão ocorre num clima de radicalização das lutas políticas na América Latina, no momento em que está em curso um golpe de Estado na Bolívia e no dia em que vai ter início, no Distrito Federal, uma reunião da cúpula do Brics. A leniência das autoridades, que reflete apoio do governo do crime, sugere que a invasão foi armada dentro do próprio governo.

Em Brasília mais de 100 militantes se reuniram num abraço à Embaixada contra a invasão promovida pelo grupo de extrema direita e em solidariedade à Venezuela e ao governo Nicolás Maduro. Também São Paulo lideranças da CTB e dos movimentos sociais realizaram na manhã desta quarta uma manifestação no centro da cidade com o mesmo objetivo.

A Venezuela não tem embaixador no Brasil desde 2016, quando Nicolás Maduro chamou o então representante de seu governo em Brasília de volta a Caracas em protesto contra o impeachment de Dilma Rousseff.

Compartilhar: