Governo Alckmin não faz lição de casa e leva bomba da água

O nível do reservatório de água do Sistema Cantareira chegou a 9,8%, o pior índice da história devido a uma longa estiagem no estado de São Paulo. O fato tem deixado o governo Alckmin em polvorosa e o político tucano, blindado pela mídia, vai a toda hora na tevê garantir que não haverá racionamento e água no estado. “O governo paulista não tomou as providências necessárias para conter os efeitos da estiagem e agora busca paliativos para escamotear o problema”, defende Rene Vicente dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema).

Segundo o sindicalista, o governo estadual reduziu os quadros da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) perdeu seu caráter de empresa pública nos sucessivos governos tucanos e auferiu lucro de quase R$ 4 bilhões nos últimos 2 anos, distribuído entre acionistas nacionais e estrangeiros. Mesmo assim, “não fez investimentos para aumentar a produção e a capacidade do reservatório do Cantareira, agora está indo buscar água em outros sistemas, o que pode deflagrar falta de água em mais cidades do que se imaginava”, garante Rene.

“O governo deveria oficializar o rodízio de água, porque essas medidas paliativas prejudicarão ainda mais o sistema. Hoje o rodízio só ocorre nos bairros pobres das cidades afetadas”, define o presidente do Sintaema. Para ele, “tem que haver uma atitude política e um planejamento que não prejudique o funcionamento de escolas e hospitais, mas que não privilegie ninguém pela questão social.”

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“Além de afetar diretamente a vida dos cidadãos e da rotina de instituições como hospitais e escolas, a falta d’água poderá prejudicar o complexo industrial, já que o setor demanda grande quantidade de água para seu funcionamento. Os prejuízos poderão se traduzir na queda da produção e de empregos, aumentando a paralisia econômica no estado”, diz texto assinado por várias entidades contra as medidas governamentais em São Paulo.
De acordo com Rene, a utilização do chamado “volume morto” (água do fundo dos reservatórios) consegue sim manter o abastecimento por 4 meses, mas a um custo social que pode causar danos irreparáveis ao meio ambiente. “Quanto mais se tira, mais difícil fica para repor o nível adequado ao reservatório do Sistema Cantareira”, assegura. Além disso, “a ideia de ir buscar água em outros reservatórios do estado, poderá inviabilizar todo o sistema”, acentua.

“A falta de vontade política do governador Alckmin e a falta de investimentos para o enfrentamento de crises de abastecimento e expansão do sistema de produção de água com a ampliação dos reservatórios fazem agora o Sabesp ir buscar água de outros reservatórios, só que a falta de chuva é mais abrangente do que se imagina, por isso, tem que racionar de modo a não prejudicar apenas a população pobre”, reclama Rene.

Porque o governo paulista deixou o sistema de abastecimento de água à mercê dos caprichos da natureza, aí vem esse governante “falar em multar em 30% quem consumir acima da média, numa medida ilegal e ainda não resolve nada”, defende o sindicalista.

Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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