“Escola Sem Partido transforma estudantes em meros robôs”, diz dirigente sindical

A Comissão Especial da Escola Sem Partido (projeto de lei 7.180.2014) fez nesta terça-feira (14) uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, porque a lei assim determina.

A audiência teve a participação do professor da Universidade Federal de Pernambuco, Rodrigo Jungmann, do reitor do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, Oscar Halac, do fundador do Movimento Escola Sem Partido, Miguel Nagib e do dirigente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Gilmar Soares.

A discussão se concentrou na questão de qual modelo de escola a sociedade deseja para o país. Os defensores do projeto defendem a submissão do projeto pedagógico aos ditames dos pais e os contrários pretendem que a escola seja, plural, laica e livre.

De acordo com Nagib, a Escola Sem Partido pretende limitar a atuação dos profissionais da educação. Ele defende que os pais devem determinar os conteúdos que os filhos devem aprender. “Meus filhos, minhas regras”, define.

Já para o educador Halac, o projeto entende o educando como um indivíduo sem autonomia, sem inteligência. Ele critica o termo utilizado por Nagib de que a escola prega a “ideologia de gênero” e acredita que a “escola pública deve atender a todos e todas e formar o cidadão brasileiro”.

O relator da comissão especial, deputado Flavinho (PSB-SP) lembra que serão feitas inúmeras audiências públicas pelos estados. Essa comissão tem caráter conclusivo, ou seja, se aprovar, o projeto vai direto para o Senado.

Marilene Betros, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), não vê cabimento na Escola Sem Partido. “Com esse projeto estaremos retrocedendo décadas”.

Para ela, “os profissionais da educação vêm lutando anos a fio por uma escola que contemple todas as necessidades e os anseios da nossa juventude, num país continental e tão diverso como o nosso”, explica.

A professora baiana lembra ainda que as educadoras e educadores brasileiros têm uma greve marcada para o dia 15 de março, em defesa da valorização profissional, da educação pública e da liberdade de cátedra.

“Nenhum profissional que tenha compromisso verdadeiro com a educação pode defender esse projeto que destrói a capacidade de ensinar e torna os estudantes meros robôs”, ataca. “A CTB é visceralmente contra todo e qualquer projeto que não respeite a cidadania, a liberdade e a vida”, defende Betros.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

Assista a audiência pela Mídia Ninja: 

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