Em seu centenário, Miguel Arraes permanece odiado pelos reacionários e amado pelo povo

Arraes retorna do exílio em 1979, com a Lei da Anistia, nos braços do povo (Foto: Memorial da Democracia)

Como uma carreira política a mais brilhantes, o ex-governador de Pernambuco, Miguel de Arraes Alencar, completaria 100 anos nesta quinta-feira (15), não tivesse partido em 13 de agosto de 2005, aos 89 anos.

O vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Joílson Cardoso conta uma história que dá a real dimensão da grandeza de Arraes, que nasceu em Araripe, no Ceará, em 15 de dezembro de 1916, mas fez sua carreira política em Pernambuco.

Cardoso conta que no Congresso da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), em 2004, Arraes fora convidado a discursar. E em meio à intensa polêmica o fez. Apesar da polêmica, diz o vice-presidente da CTB, com sua “voz rouca, firme, amiga e solidária”, o político pernambucano, “abrandou o ânimo da discórdia dos presentes, recolocando nos termos da unidade o evento dos camponeses”. Ao final de seu discurso, “Arraes foi aplaudido de pé por todos os trabalhadores e trabalhadoras”, complementa.

Assim foi marcada a carreira desse grande brasileiro, odiado pelas forças reacionárias, mas amado pelo povo. Foi prefeito de Recife, deputado estadual, deputado federal e por três vezes governador de Pernambuco, o estado que adotou para fazer sua imponente carreira política.

“Miguel Arraes foi um lutador em defesa do povo brasileiro, cearense da região do Cariri, desde cedo se comprometeu com as lutas populares”, afirma Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da CTB.

Arraes jornal humanitas

Três vezes eleito governador de Pernambuco, ainda hoje é lembrado e amado pelo povo (Foto: Jornal Humanitas)

Sempre esteve do lado da classe trabalhadora e já em seu primeiro governo obrigou os donos de engenho a pagarem o salário mínimo, ao menos, para trabalhadores e trabalhadoras rurais. Convidado a renunciar pelos golpistas de 1964, preferiu a resistência.

“Recusando-se a renunciar ao mandato, preferindo a prisão e o exílio a romper com os compromissos assumidos, Arraes enfrentou as adversidades decorrentes da sua opção, mas, por outro lado, seu nome ficou marcado na História de Pernambuco com tintas fortes. Não faltam críticas à sua atuação como administrador, nem contestações às suas propostas. Mas, provavelmente, a figura de Arraes continuará sendo o que sempre foi: um divisor de águas, com posições claras, sejam elas rechaçadas ou dignas de elogios, diz a jornalista Tereza Rozowykwiat, em seu livro “Arraes”, recém-publicado nas comemorações de seu centenário.

Ativo defensor das liberdades democrárticas, Arraes foi voz atuante na campanha das Diretas Já em 1984. Para mostrar as posições firmes e ao lado das forças progressistas e populares de Arraes, Cardoso narra outro acontecimento. “No final de maio de 2005”, conta, “tramitava no Congresso Nacional a famigerada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 369/2005, que quebrava a unicidade sindical e abria uma fenda para a reforma trabalhista reduzindo direitos e conquistas dos trabalhadores e trabalhadoras”.

 Arraes prodiretasja 1984

Em manifestação da grande campanha por eleições diretas para enterrar a ditadura, em São Paulo (Foto: Claudine Petroli)

“Arraes não hesitou”, diz ele, “convocou a Executiva Nacional do PSB e a bancada federal, em reunião conjunta, realizada na Câmara Federal, para rechaçar a proposta”. O político de Pernambuco afirmou que estaria sempre “contra os mecanismos de controle das forças conservadoras, que não querem o crescimento das forças emergentes da sociedade que desejam transformações mais profundas”.

Por isso tudo, a CTB presta homenagem ao grande brasileiro Miguel Arraes, homenageado pela escola de samba de Vila Isabel, do Rio de Janeiro, no carnaval deste ano, com o tema “Memórias do Pai Arraia – Um Sonho Pernambucano, um Legado Brasileiro”. Aliás, o desfile da Vila Isabel sofreu boicote da Rede Globo, justamente pela escolha do homenageado.

Assista vídeo com o samba-enredo da Vila Isabel 

“A nossa central não poderia deixar de lembrar as lutas desse grande homem, um grande exemplo de resistência e de bravura para estes tempos sombrios pelos quais passa o nosso país”, afirma Nunes.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

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