Em ofensiva contra Lula, Moro tenta enquadrar ex-presidente em lei da ditadura militar por opinião política

Hoje, junto com Paulo Pimenta, participei de uma audiência inacreditável, de inquérito contra o presidente Lula. Requisição de Sérgio Moro com base na Lei de Segurança Nacional, desenterrada do regime militar, porque Lula falou das notórias relações do governo com milicianos.

Lula no segundo interrogatório de hoje, tão surreal como o anterior. É a criminalização da política de desenvolvimento regional feita pelo governo. A MP 471, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, reivindicação do Nordeste, é usada para acusar Lula e PT de receber benefícios. Gleisi Hoffman, presidenta do PT, no twitter.

O ex-presidente Lula deu dois depoimentos hoje em Brasília.

No primeiro, que corre em segredo de Justiça, ele pode ser enquadrado na notória Lei de Segurança Nacional, um entulho da ditadura militar, por fazer críticas ao presidente Jair Bolsonaro.

Em vídeo divulgado em novembro do ano passado, Lula afirmou:

Não é possível que um País do tamanho do Brasil tenha o desprazer de ter no governo um miliciano responsável direto pela violência contra o povo pobre, responsáveis (sic) pela morte da Marielle, responsável pelo impeachment da Dilma, responsável por mentirem a meu respeito.

O Ministério da Justiça confirma que o pedido de enquadramento de Lula partiu do ministro Sergio Moro.

“O Ministério da Justiça e Segurança Pública requisitou a apuração contra Lula, assim que ele deixou a prisão, para investigar possível crime contra a honra do Presidente da República. Lula disse, à época, que Bolsonaro era chefe de milícia. Podem ter sido praticados os crimes do art. 138 do CP ou do art. 26 da Lei de Segurança Nacional”, diz nota do Ministério.

O clã Bolsonaro tenta se afastar da suspeita de envolvimento com o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega, morto pela polícia no interior da Bahia.

Numa linha de ataque, diz que Adriano não tinha condenação transitada em julgado quando foi morto pela PM da Bahia.

Com isso, sugere que quando Flávio Bolsonaro condecorou Adriano com a Medalha Tiradentes, a mais importante honraria do Rio de Janeiro, o então policial militar era “herói” da PM.

Por outro lado, a família ataca o governo da Bahia, governada pelo PT, pela morte de Adriano, sugerindo que ele tenha sido torturado e assassinado friamente.

Ao levantar dúvidas sobre a morte do miliciano, o clã parece determinado a turvar as águas sobre futuros resultados da investigação.

Com Adriano foram encontrados 13 aparelhos celulares, que podem fornecer pistas à polícia sobre esquemas que ele pode ter utilizado para se informar, fugir e esconder.

Atacando a credibilidade da investigação agora, o clã Bolsonaro levanta suspeitas que poderão ser reavivadas se algum dado futuro do caso for comprometedor para a família.

Nem o senador Flávio Bolsonaro, nem o presidente Jair Bolsonaro falaram publicamente até agora sobre a contratação da mãe e da esposa de Adriano para o gabinete do então deputado estadual Flávio.

Elas permaneceram empregadas até o final de 2018, quando Adriano já havia sido expulso da PM por envolvimento com o crime organizado.

Adriano, a mãe e a ex-esposa são suspeitos de envolvimento no esquema de rachadinha que o amigo de Adriano, Fabrício Queiroz, é acusado de ter pilotado no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Ao tentar enquadrar o ex-presidente Lula na Lei de Segurança Nacional o ministro Sergio Moro não apenas obedece ao chefe, mas intimida críticos do envolvimento dos Bolsonaro com milicianos.

No outro depoimento de hoje, sobre a Operação Zelotes, Lula é investigado por supostamente oferecer benefícios a montadoras de veículos em troca de vantagens pessoais e ao PT através da MP 471.

O relator da matéria foi o senador César Borges, que atribuiu a medida original a Antonio Carlos Magalhães.

Os dois foram notórios adversários políticos do PT.

“Conseguimos quebrar um paradigma de que a indústria automobilística não alcançava essas regiões menos desenvolvidas. A aprovação dessa medida provisória é muito importante porque prorroga o benefício e garante compromisso de novos investimentos”, afirmou à época Cesar Borges.

A medida prorrogou incentivos às montadoras, originalmente concedidos em 1999 — quando Lula nem estava no poder — até dezembro de 2015, por acordo de lideranças.

Via Vi o Mundo

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