Editora Abril fecha mais dez revistas e faz nova demissão em massa

Em comunicado interno, o Grupo Abril anunciou na manhã desta segunda-feira (6) o fechamento de 10 títulos: Cosmopolitan, Elle, Boa Forma, VIP, Viagem e Turismo, Mundo Estranho, Arquitetura, Casa Claudia, Minha Casa e Bebe.com. No enxugamento, foram demitidos hoje 70 profissionais. Cortes em outras áreas da empresa podem chegar a 500. 

As revistas Veja, Exame e Claudia foram poupadas, segundo as informações do site Meio & Mensagem. A decisão foi anunciada em uma reunião com funcionários. Ainda há dúvidas sobre a manutenção de Superinteressante e Quatro Rodas. É o anúncio mais recente após o Grupo passar o comando da Editora à Alvarez & Marsal.

Sindicato repudia demissões

A direção do Sindicato dos Jornalistas está na sede da editora desde o início da manhã de hoje para prestar apoio aos demitidos e vai tomar todas as medidas necessárias para reverter esse quadro.

O sindicato repudiou as demissões e a falta de diálogo com a entidade que representa os demitidos. “Para o SJSP, a necessidade de ‘ajustes’ propagada pelos novos diretores da Abril não justifica gerar desemprego, demitindo centenas de profissionais e comprometendo a qualidade do jornalismo em nome da lucratividade”.  

A entidade lembra que a Editora Abril já havia realizado uma demissão em massa em dezembro de 2017, semanas após a reforma trabalhista entrar em vigor, e o caso é alvo de ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho de São Paulo (MPT).

A empresa foi acionada por não ter feito uma negociação prévia com o Sindicato e por ter agido de forma discriminatória, demitindo profissionais mais velhos (média de 40 anos) e com maior tempo de casa. 

Parcelamento de verba rescisória

Nesta ação, o MPT também questiona o parcelamento das verbas rescisórias em dez vezes, outra medida que fere a legislação trabalhista. O processo tramita na  61ª Vara do Trabalho de São Paulo.

De acordo com o sindicato, se a ação seja julgada procedente, a empresa poderá ser condenada a ressarcir todo o período de afastamento dos profissionais e ainda ao pagamento de uma multa de R$ 1,338 milhão por reparação pelos danos coletivos, valor que será revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Portal CTB com Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo  

 

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