Dia Internacional Contra a LGBTfobia: o Brasil é o país que mais mata a população LGBT

A Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou em 17 de maio de 1990 a homossexualidade da lista dos transtornos mentais. “A homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”, diz comunicado da OMS.

A partir dessa atitude, a data ficou marcada como o Dia Internacional Contra a LGBTfobia. “Foi quando a homossexualidade deixou de ser uma doença pela ciência e se torna, finalmente, o que ela sempre foi: apenas uma expressão saudável da sexualidade humana”, diz Nelson Matias Pereira, diretor da APOGLBT (ONG responsável pela Parada do Orgulho LGBT de São Paulo).

Um levantamento do Grupo Gay da Bahia mostra que a vida da população LGBT no Brasil é de risco constante. Somente em 2016, foram 347 assassinatos. Por isso, “devemos fazer uma reflexão e lutar contra a ruptura democrática do país que fortalece o conservadorismo”, afirma Marcelo Max, diretor do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro.

Já para Silvana Brazeiro Conti, dirigente da Liga Brasileira de Lésbicas, “o Brasil pós-golpe trouxe prejuízos enormes para todo o povo brasileiro, essencialmente para a classe trabalhadora, em todos os sentidos”.

Mas, de acordo com ela, a carga maior de opressão recai sobre “aqueles que não se enquadram na heteronormatividade”. Além dos direitos trabalhistas como aposentadoria, férias, 13º salário, descanso semanal, entre outros ameaçados, “estamos perdendo nossas conquistas civis e sociais dos 13 anos dos governos Lula e Dilma”.

Max defende a necessidade de “fortalecer a população LGBT com a aprovação de políticas públicas principalmente como a criminalização da LGBTfobia, como forma de erradicar a violência contra quem apenas quer ser livre e viver sem medo”.

Cuide Bem do Seu Amor, dos Paralamas do Sucesso 

Para Conti, o momento é de resistência com unidade dos movimentos populares e progressistas. “É preciso entender que não existe contradição entre luta de classes e as lutas específicas”.

Ela ressalta ainda a importância da educação como espaço de elevar os debates. Por isso, critica a Escola Sem Partido. “Criamos no Rio Grande do Sul, o Fórum Estadual em Defesa da Escola Sem Mordaça, justamente porque entendemos a escola com um espaço para a educação emancipatória”.

“É na escola que se pode trabalhar o combate aos preconceitos e a necessidade de se respeitar as diferenças. A escola deve ser um grande espaço de diálogo e de discussão dos temas relevantes para o avanço do processo civilizatório”.

Max concorda com ela e afirma ainda que na atual conjuntura, “devemos defender a manutenção dos direitos já existentes para a população LGBT e garantir que não haja nenhum retrocesso”.

Para isso, é preciso “lutar contra as desigualdades e todas as violações dos direitos humanos, mito recorrentes no Brasil do ‘desgoverno’ Temer”, diz.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: www.muza.com.br

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