Deputados de esquerda e do Centrão vão ao STF contra transferência de Lula

A decisão arbitrária e cruel da juíza curitibana de transferir o ex-presidente para um presídio em Tremembé, no interior de São Paulo, despertou revolta no Parlamento, foi condenada por Rodrigo Maia e mobilizou políticos de diferentes partidos contra o novo ato de perseguição política contra Lula.

Cerca de 70 parlamentes de partidos de esquerda e de Centro, entre eles Marcos Pereira, vice-presidente da Câmara, chegaram ao STF para audiência com Dias Toffoli. Reunião é para defender que Lula fique em uma sala de Estado-Maior caso realmente seja transferido pra São Paulo.

Antes de se dirigirem ao STF, alguns congressistas foram à tribuna  da Câmara para criticar a medida. Citando a palavra vingança, o vice-líder da bancada do PR na Câmara dos Deputados, deputado federal Marcelo Ramos (AM), se referiu ao absoluto limite da lei e da Constituição para manifestar-se sobre o caso. 

“Não entro no mérito do julgamento do ex-presidente Lula, mas, na execução da pena, ignorar o direito à progressão de pena e transferir um ex-presidente que, por decisão judicial deveria ser cumprida em Sala de Estado Maior, para o Presídio de Tremembé é uma decisão fora da lei”, escreveu em seu Twitter. “Uma das marcas da evolução civilizatória é a substituição do critério passional de vingança por um critério racional de Justiça. A vingança ignora a lei. A Justiça submete-se a lei”, completou. 

Joaquim Passarinho (PSD-PA) também disse ter visto com surpresa a medida. “Apesar de nunca ter votado nele, acho que Lula é um ex-chefe de Estado e merecia um outro tratamento”, disse. Para ele, tocar no assunto mais de um ano depois parece “perseguição à toa”, comentou.

A decisão também recebeu críticas da oposição. O vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA), afirmou tratar-se de um claro “abuso de autoridade” e demonstração de uma “clara perseguição política”. “Ministro Sérgio Moro é o regente dessa absurda decisão da juíza Carolina Lebbos em mais uma perseguição ao ex-presidente Lula. Escalada autoritária inaceitável”, afirmou. 

Depois de alegar dificuldades para manter o ex-presidente na carceragem da PF paranaense e a redução das demandas da corporação, a representante do Judiciário também apontou a necessidade de devolver tranquilidade à região para justificar a mudança da prisão onde Lula cumpre pena desde abril de 2018. A decisão não determina data para a transferência.

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