Cresce a repressão aos estudantes que ocupam mais escolas na defesa da educação

Mesmo com as ameaças e a repressão policial contra o movimento de ocupação de escolas pelo país afora, já são 185 universidades e cerca de 400 escolas ocupadas em todo o país contra as propostas do desgoverno Temer.

“Esse processo de repressão desencadeado contra o movimento estudantil sinaliza o regime de exceção que estamos vivendo”, afirma Carina Vitral, presidenta da União Nacional dos Estudantes.

Mas, garante ela, que “com o aumento da repressão, cresce a resistência e a disposição de luta dos estudantes. Não vamos ceder porque a educação pública não pode acabar no país”. Ela lembra ainda que o movimento é contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, a reforma do ensino médio e o projeto Escola Sem Partido.

Já Ana Júlia Ribeiro, estudante paranaense, fala em audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) que os adolescentes estão sendo sujeitos da história e que violentos estão sendo os policiais que “nos dão tapa na cara e quebram portões para invadir as escolas”.

Ana Júlia fala na audiência pública marcada pela deputada estadual Leci Brandão (PCdoB-SP) 

 

O que as jovens denunciam é o que está se repetindo em diversas unidades da federação, como o juiz José Henrique Mallmann, de Poços de Caldas (MG), que emiti mandado de reintegração de posse exigindo a desocupação de todas as escolas e autorizou o uso de violência progressiva e até mesmo de prisão em flagrante.

No mesmo dia em que os estudantes da Universidade Federal de Viçosa decretaram greve a partir desta sexta-feira (11), numa assembleia com 1884 alunos, sendo que 864 votaram pela paralisação contra a PEC 55.

Na Universidade de Brasília (UnB) ocupada ocorreu um debate sobre o papel da resistência após o golpe de Estado e as medidas do desgoverno Temer contra o movimento popular e os interesses da nação. Participaram do debate, o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) e o professor e ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, além de outros juristas e professores da UnB.

Em Belo Horizonte ocorreu ato unificado de professores e estudantes. Carol, estudante de psicologia que está ocupando a PUC unidade São Gabriel, fala da importância da luta dos estudantes. Houve agressão na tentativa de ocupação da faculdade de Comunicaçãoda PUC RS (assista abaixo). 

“A PEC não afeta só quem estuda em universidade pública, os cortes na educação afetam diretamente quem é bolsista na universidade privada, principalmente na PUC a grande maioria dos estudantes é de bolsistas, e também porque a PEC não influencia só na educação, nós como cidadãos e futuros profissionais seremos afetados diretamente, todo mundo depende da saúde pública”, diz ela.

Carina Vitral lê carta contra a reforma do ensino médio no Senado 

Seguindo o movimento de ocupações que já engloba 102 Institutos Federais, os estudantes do curso de Licenciatura em Artes Visuais do IFCE, ocuparam o Anexo Aldeota em Fortaleza. Trata-se de um movimento de repúdio à PEC 55, à Reforma do Ensino Médio prevista na Medida Provisória 746 e de reinvindicação à mudança do Curso para o novo prédio localizado na avenida Treze de Maio, no Campus Fortaleza. A ocupação foi decidida em Assembleia Estudantil na manhã do dia 9 de novembro na sede do Clav.

Os estudantes da Universidade Federal do Espírito Santo estão em greve desde a quarta-feira (9). “Precisamos transformar as universidades em polos de resistência democrática contra todo o tipo de retrocesso”, disse um dos estudantes dando o tom das lutas que vem por aí.

Estudantes e professores da Universidade Estadual de Goiás votaram pela reocupação do campus Cora Coralina, na última terça-feira (8). Com 97% dos votos a favor, os presentes decidiram retomar a manifestação que havia sido paralisada após reintegração de posse repressiva da polícia militar em 1º de novembro.

Feministas protestam na colação de grau de estudante acusado de estupro na faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Daniel Tarciso da Silva Cardoso, estudante suspenso em 2014 após seis denúncias de estupro.

Acusado de dopar e estuprar ao menos três estudantes em festas universitárias, Daniel foi afastado por 18 meses do curso, mas conseguiu completar os créditos e colará grau após o processo disciplinar instaurado pela faculdade cessar sua suspensão.

Portal CTB com Jornalistas Livres e Mídia Ninja

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