Corrupção no Clã Bolsonaro: PSL desviou dinheiro de cota feminina a assessores do filho senador

27 candidatas direcionaram suas verbas eleitorais para empresas ligadas aos investigados por rachadinhas

Estourou um novo escândalo do Clã Bolsonaro para desmentir a demagogia presidencial de que no governo da extrema direita não tem corrupção. Além das façanhas do Chico Cueca, que mantinha com o presidente uma “união estável” nas palavras do próprio, temos o filho senador do capitão reformado envolvido agora numa falcatrua no interior do Partido Só de Laranjas (PSL).

Nas eleições de 2018, o PSL-RJ direcionou R$ 49 mil de sua cota feminina para duas empresas ligadas a assessores de Flávio Bolsonaro, que estão envolvidos no esquema da rachadinha na Assembleeia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O valor equivale a mais de 10% da verba total para as mulheres candidatas.

Fraude contábil

As informações do portal UOL indicam que das 33 postulantes do diretório estadual, 27 direcionaram suas verbas eleitorais para essas empresas. Além disso, dez dessas candidatas apresentam indícios de fraude contábil e duas tiveram suspeita de falsificação de assinaturas, nas prestações de contas feitas à Justiça Eleitoral.

As duas empresas beneficiadas são ‘Alê Soluções’ e ‘Eventos e Jorge Domingues Sociedade Individual Advocacia’. A primeira é de Alessandra Oliveira, assessora de Flávio Bolsonaro na Alerj e, ao mesmo tempo, primeira-tesoureira do partido no Rio.

Já a segunda é de responsabilidade de a Luis Gustavo Botto Maia, advogado eleitoral do filho do presidente da República. Os dois são investigados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) por participação no esquema de rachadinhas.

Ação coordenada

Ao UOL, a procuradora da República Silvana Battini afirmou que uma possível investigação só pode ser aberta agora na Justiça criminal, já que não há mais prazos para um inquérito eleitoral. “Eu diria que isso é suspeito. Esse tipo de padrão implica uma ação coordenada. Pode ser uma ação coordenada simplesmente para racionalizar os recursos ou para fraudar”, disse ela. De acordo com o UOL, nem Flávio Bolsonaro, nem os dois assessores do agora senador, aceitaram falar com a reportagem.

O atual senador também é investigado por ter usado o esquema de rachadinhas durante as eleições de 2018. A quebra de sigilo de duas funcionárias de seu gabinete à época em que era deputado estadual no Rio de Janeiro revelou que elas repassaram dinheiro ao advogado do parlamentar.

Foram 22 repasses realizados todos os meses entre junho e dezembro de 2018, período que abrangeu as eleições pelo PSL, ao advogado Luis Gustavo Botto Maia, responsável pela parte jurídica da candidatura de Flávio Bolsonaro ao Senado.

Com informações da RBA

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