Contra o meio ambiente e populações tradicionais, o governo paulista entrega parques a empresas

A Cachoeira das Andorinhas , no Vale do Ribeira, é uma das belezas naturais que serão exploradas

A mídia burguesa quase não publicou, mas na terça-feira (7), a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou o Projeto de Lei (PL) 249/2013, do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que libera 25 parques estaduais à iniciativa privada, por um prazo de 30 anos.

Com o costumeiro autoritarismo, o governador e seus aliados não consultaram as comunidades indígenas e quilombolas, residentes em alguns desses parques. “É um verdadeiro atentado à natureza e às populações tradicionais, que tiram sua subsistência dessas regiões”, afirma Antoninho Rovaris, secretário de Meio Ambiente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

“Na prática o que esse projeto propõe é que essas áreas passem a ser exploradas por empresas que deverão cobrar ingressos da população que quiser ter acesso a esses locais. Fora isso, as áreas de manejo poderão ser exploradas de outras formas o que pode comprometer o equilíbrio ambiental da região”, afirma a deputada estadual Leci Brandão (PCdoB).

Até a secretária estadual de Meio Ambiente, Patrícia Iglecias reconhece que “é possível ter cobrança de tarifa se isso ficar claro em um estudo, mas esse não é o objetivo. E mesmo em situações com cobrança de tarifa, o que se faz é regras para isenções para quem mora na região ou para quem é do município”.

caverna do diabo eldorado

Nem a famosa Caverna do Diabo escapa

Rovaris diz que “é mais um projeto movido pela sanha capitalista, que não respeita absolutamente nada. Põe o lucro acima de tudo”. Para ele, “entregar à iniciativa privada áreas de conservação é contra qualquer atitude de bom senso. Significa apenas o começo de destruição que os neoliberais pretendem fazer”.

A coordenadora do Programa Vale do Ribeira do Instituto Socioambiental, Raquel Pasinato, diz que as comunidades que, segundo ela, “já são parte da região”, não foram consultadas e podem ficar sem ter onde morar. Cinco áreas de conservação localizam-se no Vale do Ribeira e afetam várias comunidades.

trilha Parque Estadual da Cantareira

Trilha do Parque Estadual da Cantareira faz parte da lista privatista

Já o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) diz que “agora estamos assistindo a essa afronta, a esse crime, de entregar 25 parques estaduais para madeireiras e empresas privadas”.

A deputada estadual Marcia Lia (PT) reclama que “ninguém se dignou a chamar os ambientalistas” para debater sobre o PL. “Entendemos que aquela população que vive nesses parques, os caiçaras, os quilombolas, as populações ribeirinhas, os indígenas, enfim, toda essa população que vive há muitos anos nesses espaços será prejudicada”.

David Martim, líder indígena da Aldeia Jaraguá, que fica no parque estadual de mesmo nome, também objeto da privatização, vê no projeto uma ameaça a anos de esforços pelo reconhecimento das terras indígenas. “Para nós, indígenas, nossa terra é a nossa casa”, diz. Das três aldeias que formam o complexo tradicional, no Jaraguá, duas ainda aguardam demarcação.

Abaixo a lista completa dos parques que serão privatizados:

PE Campos do Jordão
PPE Cantareira
PE Intervales
PE Turístico do Alto Ribeira
PE Caverna do Diabo
PE Serra do Mar (Núcleo Santa Virginia)
PE Serra do Mar (Núcleo São Paulo)
PE Jaraguá
PE Carlos Botelho
PE Morro do Diabo
PE Ilha do Cardoso
PE de Ilha Bela
PE Alberto Löfgren
Caminho do Mar
Estação Experimental de Araraquara
Estação Experimental de Assis
Estação Experimental de Itapeva
Estação Experimental de Mogi Guaçu
Estação Experimental de Itirapina
Floresta Estadual de Águas de Santa Bárbara
Floresta Estadual de Angatuba
Floresta Estadual de Batatais
Floresta Estadual de Cajuru
Floresta Estadual de Pederneiras
Floresta Estadual de Piraju

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy com Rede Brasil Atual, Portal Vermelho, Folha de S.Paulo e G1

Compartilhar: