Clima, energia e crise dominam cúpula UE-Brasil na Suécia

Bruxelas, 4 out (Lusa) – União Europeia e Brasil reúnem-se ao mais alto nível nesta terça-feira, em Estocolmo, numa cúpula que será dominada por conversações sobre as alterações climáticas, energia e a crise econômica e financeira.

O presidente Luís Inácio Lula da Silva será recebido às 10h30 (5h30 de Brasília) pelo presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, e o presidente do Conselho da EU, Fredrik Reinfeldt, para um encontro que termina com uma conferência de imprensa prevista para as 13h (8h).

A terceira cúpula entre a UE e o Brasil irá reiterar que as duas partes concordam que as alterações climáticas são "um dos desafios mais importantes dos nossos tempos e requerem uma resposta urgente e global".

No projeto da declaração conjunta da reunião a que a Agência Lusa teve acesso a UE e o Brasil afirmam que estão "determinados em aumentar o ritmo das negociações com vista a alcançar um acordo positivo e ambicioso" na Conferência de Copenhague sobre alterações climáticas, em dezembro.

O objetivo da UE é limitar o aquecimento global a menos de dois graus acima da temperatura pré-industrial, dado existirem fortes indícios científicos de que as alterações climáticas constituirão um perigo além daquele limiar.

O acordo de Copenhague deve não só estabelecer metas mundiais para a redução das emissões, mas também proporcionar uma base para o reforço da capacidade de adaptação de cada país às alterações climáticas.

UE e Brasil irão declarar que estão "empenhados" na redução da taxa de retirada de árvores nas florestas até 2030, ano em que a perda de área florestal deverá terminar.

A cúpula de Copenhague também dará seguimento ao encontro de Pittsburgh em que os países do G20 delinearam uma estratégia para impedir crises do setor financeiro no futuro e a sua contaminação à economia global.

Por outro lado, UE e Brasil irão reafirmar a sua "grande preocupação" com a crise política que Honduras está atravessando, assim como a violação da ordem constitucional naquele país.

O lançamento da "parceria estratégica" UE-Brasil foi uma das "bandeiras" da presidência portuguesa da União Europeia, no segundo semestre de 2007.

A cúpula de Lisboa marcou naquela época o início de um diálogo político, econômico e comercial mais elevado e regular entre a UE e o Brasil, país que ficou, em relação à Europa, com o mesmo estatuto de potências mundiais e de economias emergentes, como os EUA, Canadá, Rússia, China, Índia, entre outros.

A Alemanha é, dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE), o principal exportador para o Brasil e a Holanda o maior importador, segundo dados divulgados na semana que passou pelo gabinete de estatísticas europeu.

Segundo o Eurostat, no primeiro semestre do ano, as exportações da Alemanha para o Brasil ficaram em 3,1 bilhões de euros (33% do total da UE), enquanto que a importações totalizaram os 2,5 bilhões de euros (20% do total da UE).
Do lado das importações do Brasil, a Holanda lidera com 2,7 bilhões de euros e 21% do total da UE.

As exportações de Portugal para o Brasil somaram, no primeiro semestre de 2009, 102 milhões de euros (num total de 9,28 bilhões de euros na UE) e as importações foram de 422 milhões (12,559 bilhões na UE).

O balanço comercial UE/Brasil é deficitário para os 27, dado que as importações do Brasil excedem as exportações para o país.

Os dados do Eurostat mostram ainda que, de 2000 a 2008, o valor das exportações de bens para o Brasil aumentou em 56%, enquanto as importações praticamente dobraram, o que significa que o déficit comercial do bloco passou de 1,8 bilhão de euros em 2000 para 9,5 bilhões de euros no ano passado.

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