Chico Buarque, Wagner Moura e Fernando Morais lançam manifesto e convocam para ato dia 11

Ao divulgar um manifesto contra a trama golpista da direita reacionário, Chico Buarque, Wagner Moura, Eric Nepomuceno, Fernando Morais e Leonardo Boff convocam a todos e todas a participar de ato em defesa da liberdade nesta segunda-feira (11), no Rio de Janeiro.

Palco histórico de grandes atos pela democracia, a Fundição Progresso, no bairro da Lapa, recebe esse ato, às 17h, para acompanhar a votação do parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO) da Comissão Especial da Câmara dos Deputados, que analisa o pedido de impeachment contra Dilma.

O relator promete ler seu parecer nesta quarta-feira (6). E como a pressa tomou conta dos deputados, eles prometem varar madrugadas e trabalhar sábado e domingo para o relatório ser votado a partir das 17h na segunda (11).

Nesse ritmo, os deputados têm até a sexta-feira para pedir vistas ao parecer e o presidente da comissão, Rogério Rosso (PSD-DF) pretende iniciar a discussão já na sexta, fazendo o mínimo de cinco sessões. E se a maioria dos 65 integrantes da comissão aprovarem, o relatório irá a Plenário, onde o pedido de impedimento necessita de ao menos 342 votos.

Assista vídeo da CTB Não Vai Ter Golpe:

 

“Estamos reunidos para defender o presente. Para espantar o passado. Para merecer o futuro. Para construir esse futuro. Para merecer o tempo que nos foi dado para viver”, dizem os cinco que assinam o manifesto contra o que chamam de “golpe de Estado”, movido pelos “ressentidos da história”.

Figuras exponenciais da cultura brasileira, Chico Buarque, Wagner Moura, Eric Nepomuceno, Fernando Morais e Leonardo Boff defendem o aprofundamento na democracia “que não seja apenas o direito de votar, mas de participar, abranger, enfim, uma democracia completa, sem fim. Em que cada um possa reivindicar o direito à terra, ao meio-ambiente, à vida. À dignidade”.

Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

Leia a íntegra do manifesto abaixo:

“O que vivemos hoje no Brasil é uma clara ameaça ao que foi conquistado a duras penas: a democracia. Uma democracia ainda incompleta, é verdade, mas que soube, nos últimos anos, avançar de maneira decidida na luta contra as desigualdades e injustiças, na conquista de mais espaço de liberdade, na eterna tentativa de transformar este nosso país na casa de todos e não na dos poucos privilegiados de sempre.

Nós, trabalhadores das artes e da cultura em seus mais diversos segmentos de expressão, estamos unidos na defesa dessa democracia.

Da mesma forma que as artes e a cultura do nosso país se expressam em sua plena – e rica, e enriquecedora – diversidade, nós também integramos as mais diversas opções ideológicas, políticas, eleitorais.

Mas nos une, acima de tudo, a defesa do bem maior: a democracia. O respeito à vontade da maioria. O respeito à diversidade de opiniões.

Entendemos claramente que o recurso que permite a instauração do impedimento presidencial – isso que em português castiço é chamado de ‘impeachment’ – integra a Constituição Cidadã de 1988.

E é precisamente por isso, pelo respeito à Constituição, escudo maior da democracia, que seu uso indevido e irresponsável se constitui em um golpe branco, um golpe institucional, mas sempre um golpe. Quando não há base alguma para a sua aplicação, o que existe é um golpe de Estado.

Muitos de nós vivemos, aqui e em outros países, o fim da democracia.

Todos nós, de todas as gerações, vivemos a reconquista dessa democracia.

Defendemos e defenderemos, sempre, o direito à crítica, por mais contundente que seja, ao governo – a este e a qualquer outro.

Mas, acima de tudo, defendemos e defenderemos a democracia reconquistada. Uma democracia, vale reiterar, que precisa avançar, e muito. Que não seja apenas o direito de votar, mas de participar, abranger, enfim, uma democracia completa, sem fim. Em que cada um possa reivindicar o direito à terra, ao meio-ambiente, à vida. À dignidade.

Ela custou muita luta, sacrifício e vidas. Custou esperanças e desesperanças.

Que isso que tentam agora os ressentidos da derrota e os aventureiros do desastre não custe o futuro dos nossos filhos e netos.

Estamos reunidos para defender o presente. Para espantar o passado. Para merecer o futuro. Para construir esse futuro. Para merecer o tempo que nos foi dado para viver.

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