Centrão já discute como descartar Bolsonaro

Por Altamiro Borges

Com os novos vexames internacionais (ONU) e nacionais e as pesquisas frescas comprovando a persistente perda de popularidade, o desânimo toma conta do laranjal. Em matéria publicada na Folha, a jornalista Mônica Bergamo revelou que “líderes do Centrão já discutem possibilidade de Bolsonaro não disputar as eleições em 2022”. Seu objetivo seria evitar a cadeia!

Segundo a matéria, a possibilidade do fascista não concorrer já é discutida nos bastidores de Brasília. “Por esse raciocínio, em vez de insistir em contestar a eleição em caso de dificuldades de vitória, presidente escolheria outro candidato para apoiar, escapando da derrota fragorosa nas urnas”.

Mônica Bergamo ainda apimenta os boatos: “Bolsonaro, em troca, tentaria garantir apoio para se defender de processos na Justiça contra ele e os filhos, considerados inevitáveis caso ele deixe o poder”. O maior medo, já noticiado em outros veículos, é com a sua prisão e dos pimpolhos 01 (o senador Flávio Rachadinha), 02 (o vereador Carluxo Pitbull) e 03 (o deputado federal Dudu Bananinha). Mais recentemente, o filhote 04 (Jair Renan) também entrou na mira da Justiça.

Os votos que faltam para o impeachment

Nos atos fascistas do 7 de setembro, o próprio presidente aventou para o risco real de ir para a cadeia e esbravejou: “Eu nunca serei preso”. A jornalista da Folha conclui: “A preocupação em evitar o pior na Justiça seria central no raciocínio de Bolsonaro, consideram os líderes do Centrão que apoiam o governo e convivem com o presidente”.

Pelo histórico do “capetão”, porém, a desistência de disputar a reeleição não parece estar no horizonte. É pura especulação. Ele fará de tudo para recuperar a popularidade e, se não conseguir, não descartará novas tentativas de golpe. Faz parte do DNA do fascista. A boataria sobre as teses do Centrão, no entanto, pode servir como chantagem para obter mais vantagens – em emendas e cargos.

Os partidos desse bloco fisiológico e pragmático são decisivos na possível “desistência” de Jair Bolsonaro. Até para o impeachment, que precisa de 342 votos na Câmara Federal, o Centrão é decisivo. Os partidos de oposição somam atualmente apenas 132 votos; já as siglas que se declaram como “independentes” – como PSDB e PSD – têm 187 deputados federais. A soma dos dois blocos ainda não garantiria os votos necessários para depor o fascista. Daí porque a tese da “desistência” parece somente um desejo.

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