Centrais sindicais protestam em frente ao Banco Central contra política econômica do governo

As centrais sindicais, CTB, CGTB, Força Sindical, NCST e UGT protestaram nesta quarta-feira, 18/01, em frente à sede do Banco Central na Avenida Paulista, em São Paulo, contra a política econômica do governo, no dia em que o Copom (Comitê de Política Monetária) deve anunciar nova queda da taxa de juros em 0,5%, número considerado insuficiente para o desenvolvimento e crescimento do país, segundo dirigentes de todas as centrais.

A taxa de juros praticada pelo governo brasileiro é a maior do mundo, sendo três vezes maior que a do país que ocupa a segunda colocação no ranking das taxas mais elevada, a Hungria, os líderes sindicais em afirmam que o corte dos juros poderia impulsionar o crescimento da atividade econômica no país.

Wagner Gomes, presidente da CTB, em sua manifestação a todos os presentes no ato das centrais sindicais declarou: “Que espera muita luta em 2012, e que todas as centrais devam começar a cobrar da presidenta Dilma os compromissos de campanha assumidos durante a campanha eleitoral que levou a primeira mulher a ser presidente da República”.

O Orçamento da União para 2012 atinge a cifra recorde de R$ 1,602 trilhão, já descontados os R$ 655 bilhões destinados ao refinanciamento da dívida pública. 47% do orçamento anual estão comprometidos com pagamento dos juros da divida com sistema financeiro.

“Vamos pressionar para que o Copom mantenha a política de redução da taxa Selic”, declarou Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical. “As empresas já estão demitindo, desindustrializando o parque industrial do país”, completou o dirigente.

Necessidade de mudanças

A desindustrialização é uma das causas provocadas pela política econômica do governo, que mantém alta a taxa de juros associada ao câmbio desvalorizado, a rentabilidade do capital é mais atraente para os investidores do que investir em produção industrial, não permitindo aumenta a oferta de novas vagas no mercado de trabalho.

Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, presidente da CGTB, declarou que o movimento liderado pelas centrais sindicais vem crescendo a cada mês, conseguindo agregar mais setores representativos dos trabalhadores, lideranças sindicais, empresários e os estudantes para estancar a sangria que é o envio de recursos para fora do país provocado pela alta taxa de juros.

A política de juros elevados provoca um transtorno na economia, sacrificando o orçamento do estado e limitando investimentos na área social, e ainda inibe a novos investimentos nas áreas de produção e de serviços.

Quanto ao apoio das centrais sindicais a então candidata Dilma, Wagner Gomes declarou: “Presidenta Dilma, presidenta da República, vamos cobrar o compromisso de desenvolvimento do país assumido com as centrais sindicais e o povo brasileiro. É preciso investir na produção, é preciso que se fortaleça o pacto de crescimento, o país precisa ter mais empregos e com qualidade, e aumentar os recebimentos dos aposentados, entre outros. Devemos começar a pensar em outras manifestações e vamos pressionar o governo a mudar essa política econômica”, finalizou.

Celso Jardim – Portal CTB

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