CBF cogita extinguir seleção feminina de futebol e Temer quer acabar com Bolsa Atleta

Mal acabaram as Olimpíadas Rio 2016 e a direção da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estuda extinguir a seleção brasileira permanente de futebol feminino. Segundo notícias veiculadas pela mídia, um dirigente da CBF argumenta que a prática esportiva não emplaca. Esquece que precisa de maiores incentivos e investimentos por parte, inclusive, da CBF.

A goleira da seleção brasileira feminina de futebol, Bárbara Micheline do Monte Barbosa, de 28 anos, se disse surpresa com a notícia. “É muito triste ficar sabendo de uma coisa tão grave pela imprensa. Sinceramente, espero que essa notícia não se confirme. São anos de dedicação, agora acabar com tudo, é triste demais”, diz.

A seleção permanente foi criada em janeiro de 2015 com objetivo de fortalecer o elenco para a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2015 e para os Jogos Olímpicos deste ano. A seleção permanente “é um grande passo, no momento, para termos uma equipe mais competitiva”, disse na época o técnico Vadão (Oswaldo Fumeiro Alvarez).

Bárbara, que ganhou a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, na China, acredita que o fim da seleção permanente deixará “muita gente desempregada e será desastroso para o nosso futebol feminino”.

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Ela afirma que os dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) garantiram que a seleção seria mantida “independentemente dos resultados”. Por enquanto é isso que temos de oficial”.

Inclusive, Bárbara conta que rescindiu contrato com um clube alemão para se dedicar totalmente à seleção. “Outras atletas também rescindiram e se isso acontecer a situação ficará difícil, principalmente para as jogadoras de base, já que alguns clubes iniciaram investimentos no futebol feminino, mas isso pode acabar se essa decisão da CBF se confirmar”.

O técnico Vadão defende a manutenção da seleção permanente. “Precisamos ter um plano de governo para desenvolver a modalidade nas prefeituras, se possível nas escolas, com os clubes abraçando. Foi provado que, com condições de trabalho, a gente é capaz de mostrar bom futebol”.

Mas os problemas da modalidade esportiva não param por aí. As jogadoras Rosana Augusto, Andréia Suntaque e Gabi Zanotti reclamam de quebra de promessa dos cartolas da entidade máxima do futebol brasileiro.

Elas contaram ao canal de esportes destinado às mulheres ESPNW que foi pedido às jogadoras levarem carteira de trabalho e todos os documentos necessários para “sermos registradas”, diz Andréia. “Nos apresentamos e ficamos esperando”, explica.

Rosana também confirma que “foi falado que teria um contrato. Algumas meninas já tinham assinado com alguns clubes, e muitas desistiram justamente porque queriam estar na seleção para disputar Copa do Mundo do ano passado”.

“Pedimos explicações de quais seriam os benefícios. Achávamos importante porque teríamos o FGTS, 13º e a garantia de continuar na seleção”, afirma Rosana. “Entregamos toda a documentação exigida. E aí se passaram meses, um ano e meio, e ninguém tem contrato até hoje. Não tínhamos nenhuma segurança. Prometeram carteira de trabalho assinada e não assinaram”, diz Gabi.

Depois de reclamarem com a CBF, as três não tiveram mais os seus nomes entre as selecionadas para representar o Brasil. Nem mesmo a Rosana que já tinha 16 anos de serviços prestados à seleção.

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Marcos Aurélio Ruy – Portal CTB

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