Em Ato Anti-imperialista, mulheres lançam a Carta de São Paulo, que reitera defesa do socialismo

O Ato Mundial Anti-imperialista que aconteceu neste sábado (3), data que celebra os 70 anos da Federação Sindical Mundial, reuniu representantes de centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais de todo o mundo no centro da capital paulista.

O movimento estudantil também estava representado pela presidenta da União Nacional dos Estudantes, Carina Vitral, e a representante da União da Juventude Socialista (UJS), Manu Thomaziello.

Durante o evento, o dirigente da CTB-Rondonia, Francisco Batista Pantera, apresentou um cordel de sua autoria criado especialmente para o ato e que denuncia as mazelas do imperialismo pelo mundo. Em um trecho, ele diz:

“É preciso respeito
Aos povos sua auto determinação
Cada povo tem sua identidade
Um processo de evolução
Não se pode ser subjugado
Num processo de imposição.

A conquista da paz
Passa pelas nações sua liberdade
Com democracia progresso e social
Entre os povos a solidariedade
Em busca de caminhos
Para uma nova sociedade.”

Ao final do ato político e social, cinco mulheres representantes dos movimentos sindical e social, entre elas Ivânia Pereira, secretária da mulher da CTB, e Lucileide Mafra, presidenta da Federação das Trabalhadoras Domésticas da Amazônia, fizeram a leitura da Carta de São Paulo.

O texto é um manifesto anti-imperialista e em defesa das forças democráticas e da autodeterminação dos povos, que alça o movimento sindical brasileiro à linha de frente da luta mundial contra a barbárie capitalista.

Também participaram da leitura, a professora paraibana Alcicleide Lacerda, a Manu, da UJS, e Luiza Bezerra, da Federação dos bancários do Rio Grande do Sul.

Ato pró-Petrobras em defesa da democracia

Enquanto isso, na avenida Paulista, manifestações em defesa da Petrobras, que também comemora seu 62º aniversário de fundação neste dia 3, compuseram os atos públicos do Dia Nacional de Luta da Frente Brasil Popular, realizados em mais de 30 cidades do país, organizados pelas centrais sindicais e movimentos sociais de diversos setores em defesa da democracia, pela permanência de Dilma na presidência, e contra a política econômica de ajuste fiscal que penaliza os trabalhadores.  

Os petroleiros denunciaram o desmonte que atual gestão vem impondo à Petrobras, ao reduzir drasticamente os investimentos da estatal e colocar à venda ativos estratégicos. Os sindicalistas reafirmaram que a categoria entrará em greve por tempo indeterminado para impedir a privatização da empresa.

Os atos da Frente Brasil Popular defenderam a continuidade dos investimentos em toda a estrutura que envolve a exploração do pré-sal e reafirmaram posição contra as tentativas de privatizar setores da empresa.

A manifestação seguiu em direção à região central da cidade, somando-se ao Ato Cultural Anti-imperialista, que foi aberto com um show da cantora Fabiana Cozza. 

Confira a íntegra da Carta de São Paulo:

Vivemos um tempo desafiador para o movimento sindical e as forças democráticas, revolucionárias e anti-imperialistas em todo o mundo. O acirramento da luta de classes e dos conflitos internacionais é a marca principal da conjuntura internacional, que tem por pano de fundo a crise sistêmica do capitalismo, que é simultaneamente econômica e geopolítica.

A burguesia manobra para impor à classe trabalhadora o ônus da crise e promove uma feroz ofensiva neoliberal. Presenciamos o drama da estagnação econômica e do desemprego em massa, que castiga mais de 200 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, segundo dados da OIT. Direitos sociais e trabalhistas são suprimidos ou flexibilizados. A soberania das nações é colocada em xeque e atropelada em várias regiões.

Na Europa, sob o manto da austeridade fiscal e o comando imperialista da Alemanha, os governos e a troika estão destruindo o chamado Estado de Bem Estar Social. A conversão ao euro, assimétrica e desigual, resultou para muitas nações na perda de suas soberanias na determinação da política econômica, ditada e imposta pela cúpula da União Europeia, BCE e FMI.    

Na Ucrânia os Estados Unidos e a OTAN armam e respaldam política e ideologicamente um governo de extrema direita com o propósito de afrontar a Rússia. No Oriente Médio o imperialismo semeia a guerra para preservar e fortalecer seu domínio. Na Ásia estimula hostilidades contra a China, enquanto na América Latina está associado à onda conservadora e neofascista que ameaça a Venezuela, Argentina, Equador e Brasil, conforme denunciou recentemente o presidente da Bolívia, Evo Morales.

A ordem mundial remanescente do pós guerra, hegemonizada pelos EUA, está esgotada e a necessidade de um novo arranjo geopolítico é evidente. Os acordos e decisões adotadas nas últimas cúpulas do Brics, bem como a criação do Banco Asiático de Infraestrutura, são respostas objetivas a esta necessidade.

Este movimento converge com as iniciativas integracionistas de governos da América Latina e do Caribe que resultaram na rejeição da Alca e fundação da Unasul, da Alba e da Celac. Desta última, destaca-se a decisão de transformar a América Latina e o Caribe numa zona de paz, onde os eventuais conflitos devem ser solucionados por meio do diálogo, rejeitando-se intervenções estrangeiras.

Os Estados Unidos reagem a esses novos ventos da história e manobram em todas as esferas e por todos os meios para interditar e reverter a integração político-econômica latino-americana e caribenha, bem como a ascensão da China e do Brics. Com sua política expansionista e cerca de 800 bases militares pelo mundo, patrocina tragédias e atrocidades contra os povos, sobretudo no Oriente Médio, onde quer derrubar a qualquer custo o governo da Síria. Articula movimentos desestabilizadores e reacionários contra projetos progressistas e respalda a política criminosa de Israel contra o povo palestino.

Esta reação imperial desdobrou-se na tragédia dos imigrantes no Mediterrâneo, ressuscitou o espectro do nazi-fascismo e instala no mundo uma situação tensa, incerta e perigosa.

Nessa complexa conjuntura, o movimento sindical e social reunido em São Paulo para celebrar os 70 anos da Federação Sindical Mundial convoca a classe trabalhadora à luta contra o imperialismo, as iniciativas golpistas e o neofascismo, em defesa da democracia, do direito das nações à autodeterminação, da paz mundial e de novos projetos nacionais de desenvolvimento fundados na valorização do trabalho.

Defendemos uma nova ordem geopolítica, efetivamente democrática e multilateral.

Reiteramos a defesa do socialismo, ideal maior do proletariado que mais do que em qualquer outra época é hoje uma necessidade histórica e única alternativa progressista à crise do capitalismo, que mais uma vez está a conduzir a humanidade à guerra e à barbárie.   

São Paulo, SP, 3 de outubro de 2015.

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