Bolsonaro se reúne com embaixadores para reiterar mentiras sobre urnas eletrônicas

A semana teve início com mais uma iniciativa golpista liderada pelo presidente Jair Bolsonaro, que na tarde desta segunda-feira (18) se reúne com embaixadores de diferentes países para reiterar a falsa tese de que as urnas eletrônicas não são seguras. A mentira, descarada, vem sendo repetida ad nauseam pelo líder da extrema direita brasileira com o objetivo de abrir caminho para um golpe se Lula vencer as eleições, o que pode ocorrer já no primeiro turno segundo as pesquisas.

Os presidentes do STF, (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Edson Fachin, recusaram os convites da Presidência para participar da reunião. Fachin argumentou que não poderia participar por conta do seu “dever de imparcialidade”.

Vão participar pelo governo, segundo informações divulgadas por Bolsonaro, os ministros Ciro Nogueira, da Casa Civil, e o da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira. O ex-ministro Braga Netto também teria sido convidado.

Em outro gesto típico, intolerante e bronco, o “mito” neofascista não convidou embaixadores de países cujos governos não lhe agradam, entre eles a China, deixada à margem em função do anticomunismo que orienta o chefe do Executivo, e a Argentina, presidida hoje pelo peronista Alberto Fernández, que não esconde sua amizade pelo ex-presidente Lula.

Fake News e golpismo

Por meio de uma profusão de notícias falsas (Fake News), Bolsonaro procura jogar dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral, mas o seu real motivo não é a desconfiança paranoica nas urnas eletrônicas. Ele quer abrir caminho para um novo golpe de Estado na mais que provável hipótese de derrota para Lula. Afinal, ele foi eleito pelas urnas eletrônica e se houve fraude, em 2018, como diz, ele próprio foi o beneficiário. Mas o notório paradoxo não impede que continue mentindo e desancando o sistema eleitoral, assim como o STF e o TSE.

O mais grave é que o mandatário neofascista tem contado com o respaldo de chefes militares, membros do alto escalão do governo, boa parte do Centrão e a legenda que o abrigou nesta cruzada obscurantista e reacionária contra a Justiça Eleitoral.

Altos oficiais das Forças Armadas têm repetido o discurso mentiroso de Bolsonaro. Em ofício recente, eles solicitaram ao TSE todos os arquivos das eleições de 2014 e 2018, justamente os anos que fazem parte da retórica de fraude do presidente.

A verdade é que, no Brasil, nunca houve registro de fraude nas urnas eletrônicas, em uso desde 1996. Apesar disto, Jair Bolsonaro mantém uma acirrada campanha contra o sistema sem nunca apresentar uma única prova ou mesmo indício de irregularidades. Não é a verdade que interessa ao mais notório e influente difusor de Fake de News no país.

Ameças

A retórica agressiva e as ameaças golpistas tornaram-se uma rotina no atual governo, que também naturalizou a crise institucional.

Lembremos a tentativa de pressionar o Congresso pela aprovação do voto impresso.

No mesmo dia da votação da PEC do voto impresso, em 2021, Bolsonaro foi protagonista de um desfile de veículos militares em frente ao Palácio do Planalto. Entretanto, apesar das seguidas manifestações golpistas do presidente ao longo do ano, o projeto foi derrotada pelo plenário da Câmara dos Deputados.

Foram 229 a favor do texto, 218 contra e uma abstenção. Eram necessários ao menos 308 votos dos 513 deputados —60%— para que a proposta de impressão do voto dado pelo eleitor na urna eletrônica fosse adiante. Ou seja, faltaram 79 votos para que a PEC fosse aprovada. Diante do resultado, ela foi arquivada.

A votação enterrou a proposta que mobilizou a escalada de ataques de Bolsonaro a integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE e que agravou uma crise entre os Poderes.

Em 2020, Bolsonaro chegou a prometer mostrar provas “brevemente” de fraude na eleição de 2018 —ele disse que deveria ter sido eleito no primeiro turno, e não no segundo.

“Eu acredito, pelas provas que eu tenho nas minhas mãos, que vou mostrar brevemente, eu fui eleito em primeiro turno”, afirmou Bolsonaro na ocasião. “Nós temos não apenas uma palavra, nós temos comprovado. Nós temos de aprovar no Brasil um sistema seguro de apuração de votos”, disse.

Mas nunca apresentou prova alguma. Era Fake News.

No ano passado, veio a mais forte ameaça golpista ligada ao tema. Em conversa com apoiadores, Bolsonaro disse que “a fraude está no TSE” e ainda atacou o então presidente da corte eleitoral e ministro do STF, Luís Roberto Barroso, a quem chamou de “idiota” e “imbecil”.

“Não tenho medo de eleições, entrego a faixa para quem ganhar, no voto auditável e confiável. Dessa forma [atual], corremos o risco de não termos eleição no ano que vem”, disse. No dia anterior, também ao falar com apoiadores, o mandatário fez outra ameaça semelhante: “Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”.

Pesquisa Datafolha realizada em março mostrou que, apesar da retórica mentirosa do senhor Jair Bolsonaro, 82% dos entrevistados confiam nas urnas.

Não será com ameaças e Fake News que ele vai conseguir evitar a derrota em outubro. O povo brasileiro há de enterrar nas urnas eletrônicas a barbárie neofascista que o Clã Bolsonaro quer consolidar no país.

Ilustração: Latuff

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