Bolsonaro embasa fake news que liga “bissexualidade” de Barroso a João de Deus e Dirceu

Pelo Twitter, Bolsonaro embasou teoria da conspiração propagada pelo gabinete do ódio que diz que Zé Dirceu estaria chantageando Barroso com vídeo de sexo para fraudar as eleições de 2022

Por Plinio Teodoro, na Fórum

Em meio ao mar de lama da corrupção em que Jair Bolsonaro (sem partido) está imerso, as milícias virtuais que atuam sob coordenação do gabinete do ódio criaram mais uma teoria da conspiração que envolve uma suposta “bissexualidade” do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Roberto Barroso, que preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao médium João de Deus, preso por estupro, e o ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu.

Em tuite na noite de domingo (4) – que muitos atribuem a Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) – Bolsonaro embasa a teoria da conspiração, que domina o debate nas redes bolsonaristas.

A tese nasceu de um texto atribuído a “João Macedo Costa – Jornalista Político”, que não tem referência nenhuma nas rede sociais. Na narrativa, com erros crassos de português, Barroso teria um “apartamento de luxo” em Miami, custeado pelo médium João de Deus, onde viveria “sua vida miserável de bissexual”.

“Conhecido como ‘Lulu Bandeja Boca de Veludo’, também conhecido como ‘Rainha Sol Iluminado’ e um descuidado com sua bunda. Com casamento de fachada e apartamento de luxo em Miami. Mantém a sua vida miserável de bissexual alimentado pelo medium falseta de Goiás: ‘João de deus’. Um ser abjeto que foi durante muito tempo o “enrrabador-mor do STF e de alguns artistas. Além disso, foi o fornecedor de adolescentes para as ditas ‘surubas thailandesas intermináveis dos fins de semana em seu sítio’”, diz o texto.

Mais adiante, o texto diz que Barroso “teve pouco cuidado com o seu rabo e sua língua, essa situação caiu nos ouvidos de José Dirceu, que armou uma série de vídeos comprometedores e fez disso a chantagem para que ele servisse ao Lula”, indicando que Dirceu, que é identificado também como “Daniel” pelos bolsonaristas, estaria por trás da propalada fraude das eleições em 2022.

“Toda a fúria é combate ao voto auditavel, para ele e questão de vida ou morte. Já entrou para a história como um juiz de merda e poderá seguir com vídeos empurrando kibes para o inferno”, emenda o texto fake.

O texto teria sido escrito em junho de 2021, mas ganhou impulso neste domingo (4), após o advogado Frederick Wassef, que faz a defesa do clã, foi contatado pela reportagem do Uol sobre o áudio em que a ex-cunhada do presidente, Andrea Siqueira do Valle, confirma que Bolsonaro comandava o esquema de rachadinhas.

A Fórum detectou mais de 1,2 mil menções ao texto no grupo Exército de Bolsonaro, que é alimentado e mantido pelo gabinete do ódio. As publicações do texto são sempre feitas ou compartilhadas por perfis fakes – como um que se identifica como “Einstein Salgado”.

Cuba

Em sequência de tuites, Bolsonaro se baseia em um livro apócrifo sobre a vida de Fidel Castro para relatar: “vamos supor uma autoridade filmada numa cena com menores (ou com pessoas do mesmo sexo ou com traficantes) e esse alguém (“Daniel”) passe a fazer chantagem ameaçando divulgar esse vídeo”.

“Parece que isso está sendo utilizado no Brasil (importado de Cuba pela esquerda) onde certas autoridades tomam decisões simplesmente absurdas, para atender ao chantageador (“Daniel”)”, escreveu Bolsonaro, embasando a teoria da conspiração reproduzida nas redes.

Texto de fake news distribuído no grupo Exército Bolsonaro no Telegram (Reprodução)

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