Atos esvaziados dos bolsominions refletem crescente isolamento de Jair Bolsonaro

O mito da extrema direita deu a senha para as manifestações golpistas e até conseguiu na Justiça a garantia de que poderia comemorar o golpe de 1964, mas seu apelo sensibilizou apenas alguns gatos pingados pelo país afora

Foi mais uma demonstração do esvaziamento da bolha bolsonarista e isolamento do presidente genocida, que voltou a questionar o uso de máscara e criticar o isolamento social precisamente no dia em que o número de mortes pela Covid-19 bateu outro recorde e se aproxima de 4 mil em 24 horas.

Manifestantes se aglomeraram para pedir intervenção militar em São Paulo e no Rio de Janeiro em atos com poucos militantes na quarta-feira, 31 de março, data oficial do golpe que, há 57 anos, instaurou uma ditadura militar no Brasil. Bate-boca, insultos e até tapas foram registrados durante os atos. Nos últimos dias, mensagens de grupos bolsonaristas convocando manifestações pelo país circularam nas redes sociais, mas os atos foram minguados.

Membros da Polícia Militar do Pará dispersaram manifestantes bolsonaristas que se concentravam na manhã da quarta na Praça da Bandeira, em frente ao Quartel-General, na cidade de Belém (PA).

Em São Paulo, o ato ocorreu na frente do Comando Militar do Sudeste, ao lado da Assembleia Legislativa do Estado. Um grupo de manifestantes tentou forçar a entrada dentro do quartel e foi contido pelos militares. O ato começou por volta das 9 horas e reuniu em torno de 100 manifestantes, muitos sem máscara e sem respeitar o distanciamento social recomendado para evitar a propagação do coronavírus. Eles defendiam intervenção militar com Bolsonaro no poder e gritavam palavras de ordem contra o comunismo.

Com as ideias e a ideologia negacionista do chefe, o grupo ainda questionou a eficácia das vacinas contra a covid-19 e defendeu o uso de medicamentos sem eficácia comprovada. Um segundo grupo de manifestantes que se identificou como ligado à igreja católica puxou um minuto de silêncio em respeito ao policial militar baiano que foi morto durante um surto no qual tentou atirar contra seus próprios colegas. Um dos manifestantes afirmou que ele deu “seu sua vida pelo povo”.

No Rio, o ato aconteceu na orla de Copacabana. Defensores de uma nova intervenção insultaram e agrediram um jovem que contestava a manifestação. Ele foi cercado e empurrado, chegou a levar tapas aos gritos de “vai pra Cuba”, “maconheiro” e outras ofensas de caráter homofóbico. Uma das faixas no ato, que reuniu cerca de 100 pessoas no fim da manhã, pedia que Bolsonaro acionasse as Forças Armadas para “auxiliar o povo na defesa da liberdade e das garantias constitucionais”. Apesar de alguns motoristas buzinarem em apoio aos manifestantes, muitas pessoas contestaram e expressaram indignação. Bolsonaro foi chamado de “genocida”, e gritos pró-democracia foram ouvidos.

Outras capitais, como Palmas e Curitiba, também registraram atos esvaziados. Em Palmas, sete apoiadores de Bolsonaro compareceram em frente ao 22º Batalhão de Infantaria, na zona rural.

No Twitter, predominam críticas à ditadura

Apesar de a hasthtag #Viva31demarco e o termo “Viva 64” aparecerem desde o início da quarta nos trending topics do Twitter, críticas à ditadura e a celebrações do aniversário do golpe foram maioria. Até 13h, cerca de 170 mil tweets com a hashtag #DitaduraNuncaMais foram publicados, segundo números da própria plataforma. Menos de 90 mil publicaram a tag que celebra o golpe.

 Ulysses Guimarães e trechos de seu discurso na promulgação da Constituição em 1988 também estão entre os temas mais comentados desta quarta. “O dia 31/03 não comporta a exaltação de um golpe que lançou o país em anos de uma ditadura violenta e autoritária”, escreveu o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. “É momento de exaltar o valor da nossa democracia conquistada com suor e sangue. Viva o Estado de Direito.”

Um dos perfis no Twitter que mais tem movimentado a hashtag que celebra o 31 de março é o do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), aliado do presidente Jair Bolsonaro. “Você quer conhecer o futuro? Então olhe para o passado. Veja se não são parecidas as táticas de hoje para desestabilização do País com as que eram usadas em 1964”, escreveu o ex-deputado, pivô do escândalo do mensalão.

Com informação do Terra

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