Após Vaza Jato, procuradora Thaméa Danelon deve ser descartada da força-tarefa da PGR

A mudança de planos ocorre após ela aparecer em diversas mensagens, que compreendem desde ofensas à morte de Marisa Letícia até redigir o pedido de impeachment contra o ministro Gilmar Mendes

A procuradora aliada de Deltan Dallagnol, cotada para trabalhar no comando da força-tarefa da Lava Jato na Procuradoria-Geral da República, com a indicação de Augusto Aras, não deve mais assumir o posto. A mudança de planos ocorre após Thaméa Danelon aparecer em diversas mensagens divulgadas pelo The Intercept Brasil.

O indicado pelo presidente Jair Bolsonaro ao comando da PGR, Augusto Aras, já havia conversado com a procuradora que é aliada de Dallagnol para assumir a responsabilidade no cargo maior, a PGR, em Brasília. Trabalhando junto com o grupo de Curitiba, mas desde São Paulo, Thaméa, entretanto, aparece em diversas mensagens polêmicas feitas no grupo dos procuradores no Telegram, obtidas pelo The Intercept.

Uma delas diz respeito exatamente à sugestão, dada por ela, para escrever a minuta de um pedido de impeachment contra Gilmar, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o que foi incentivado e comemorado pelo próprio coordenador de Curitiba, Deltan Dallagnol. A mensagem foi escrita em maio de 2017. Entretanto, como procuradora da República, Thaméa não poderia realizar o serviço que compete a um advogado.

“Se quiser, olhamos depois de vc redigir”, disse Dallagnol a ela, na ocasião. “Eba!!!! Obrigada!!! Já estou escrevendo!!!”, comemorou: “quero sim!!! Lógico!! Obrigada!!”, completou. Na sequência das mensagens, os procuradores comentam que ninguém poderia ficar sabendo que ela estava escrevendo o pedido de impeachment, porque diriam que seria uma vingança.

Além desse episódio, a procuradora também soltou frases polêmicas ironizando a morte da esposa do ex-presidente Lula, dona Marisa Letícia: ela criticou a procuradora Eugênia Gonzaga, ex-presidente da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, por participar do velório: “é como ir ao enterro da esposa do líder de uma facção do PCC”, comentou. Outras mensagens divulgadas pelo The Intercept Brasil mostram que Thamea mantinha relação com os movimentos de rua em São Paulo.

E o nome escolhido por Bolsonaro para ocupar o cargo maior do Ministério Público Federal (MPF), Augusto Aras, chegou a cogitar e se simpatizar à ideia de elevar Thaméa à força-tarefa da Lava Jato na PGR. Mas segundo a coluna de Monica Bergamo de sexta-feira (20), ele teria voltado atrás após as revelações do The Intercept.

“Magistrados da corte passaram a ver a eventual nomeação dela como um desrespeito —Thaméa não assumiu a autoria da peça, mas sim redigiu o texto a pedido de um advogado, Modesto Carvalhosa”, escreveu Bergamo.

Outro que pode ter seu cargo ameaçado é o próprio Dallagnol, após a VazaJato. “O procurador Deltan Dallagnol também estaria com os dias contados na coordenação da Lava Jato em Curitiba – a queda dele, no entanto, ainda não é tida como certa. Aras estaria dando sinais trocados sobre a retirada de Deltan do cargo. O procurador goza de prestígio entre os colegas e retirá-lo da Lava Jato geraria desgaste.”

Fonte: GGN

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