Aparato judicial vive maior crise desde a ditadura, diz Gilmar sobre diálogos de Deltan

Para ministro do STF, citado em diálogos, a Lava Jato não era apenas um grupo de investigação mas um projeto de poder que visava também a obtenção de vantagens pessoais.

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribuna Federal), diz que as revelações feitas nesta quinta (1º) pela Folha, em parceria com o site The Intercept Brasil, reforçam a certeza dele de que “o Brasil está diante da maior crise que se abateu sobre o aparato judicial desde a redemocratização”. Nos diálogos, Dallagnol diz também que “tem uma conversa” e “tem muita especulação” sobre recebimentos cruzados pelas “esposas de Toffoli e [Gilmar] Mendes”. E demonstra saber que a Receita Federal estaria vasculhando as contas do escritório de advocacia de Roberta Rangel, mulher do presidente do STF.

O procurador aciona ainda colegas de Brasília para trocar informações sobre Toffoli, mesmo sabendo que caberia à Procuradoria-Geral da República (PGR) investigar magistrados da Suprema Corte, que têm foro privilegiado.

Segundo Mendes, os diálogos publicados provam que os procedimentos da Operação Lava Jato “atingiram, num só ato, dois pilares do sistema: a PGR e a Justiça Federal [onde Sergio Moro atuava]”.

“As revelações da Folha explicitam os abusos perpetrados pela denominada força-tarefa. E reclamam as providências cabíveis por parte de órgãos de supervisão e correição”, segue Mendes. “Como eu já havia apontado antes, não se trata apenas de um grupo de investigação, mas de um projeto de poder que também pensava na obtenção de vantagens pessoais”, diz.

Ele comentou também o fato de Dallagnol, segundo os diálogos, saber que a Receita Federal investigava mulheres de ministros do STF. No começo do ano, um relatório sobre a mulher dele, Guiomar Mendes, e sobre Roberta Rangel foi vazado para a imprensa.

“Com a publicação, hoje, desses diálogos, fica claro quem usou a Receita como um órgão de pistolagem. Como dizia Mario Henrique Simonsen, o trapezista morre quando pensa que pode voar”, finaliza.

Mônica Bergamo, em sua coluna na Folha de São Paulo

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